Henrique Pedro

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Que salve a Democracia quem pode!

Não é de agora: a democracia corre perigo em Portugal! Correu perigo durante a vigência da chamada I República, que sucedeu à Monarquia, entre a Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910 e o golpe estado de 28 de Maio de 1926, a que se seguiram a Ditadura Militar, a Ditadura Nacional e o Estado Novo por fim. Voltou a correr perigo logo após ter sido refundada em 25 de Abril em 1974, quando o PCP tudo fez para implantar em Portugal um regime soviético, irmão de sangue do que reinava na URSS e outras forças da mesma igualha lançaram a Nação na mais insana anarquia. Foi o famigerado PREC de má memória, que só terminou em 25 de Novembro com a reposição (pela força das armas, note-se bem!) de um regime que se pretendia genuinamente democrático, justamente liberal e representativo. Regime que, embora liberal (eventualmente em excesso), vem demonstrando à saciedade não ser representativo nem estar formatado para impedir que forças espúrias, obscuras umas, expostas outras, paulatinamente desvirtuem a democracia e desgracem o Estado. Justo foi pensar que Portugal, com a abertura ao mundo que a democracia facultava, o fim das guerras ultramarinas e a forte alavanca política e económica da Comunidade Europeia, se converteria num país modelar. Debalde! A corrupção, o nepotismo e a incompetência, valendo-se dos partidos como trampolins, infestaram todas as instâncias do Estado, a dívida pública disparou, as bancas rotas sucederam-se e as desigualdades acentuaram-se. Situação que não melhorou, antes pelo contrário, com o estabelecimento da denominada ´“geringonça” liderada por António Costa, sob a égide de Marcelo de Sousa. Os escândalos banalizaram-se, a autoridade democrática passou a ser enxovalhada, o controle governamental do Ministério público acentuou-se e a dívida pública acercou-se do ponto sem retorno, mesmo antes da crise pandémica ter eclodido. A democracia desfalece e Portugal definha. As ameaças à democracia não partem, porém, de tropas amotinadas, de melícias de esquerda ou de direita que planeiem tomar de assalto São Bento ou Belém, muito menos de um qualquer André Ventura mais patriota. Vêm, isso sim, da governança incompetente, do domínio do Estado pela alta finança, da corrupção impune e das mentiras governamentais. Estão implícitas nos discursos de Marisa Matias e Ana Gomes que não escondem os seus tiques maoistas e estalinistas, paradigmáticos da esquerda totalitária, quando declaram não respeitar a vontade do povo expressa democraticamente, se não for do seu agrado. Felizmente os chavões fascistas, xenófobo ou racista com que pretendem obstar à mudança, parecem não atemorizar os portugueses. Paradoxalmente, o Regime, embora se reclame de representativo, só sobrevive porque os portugueses são constrangidos a abster-se de votar. Convém lembrar que o actual PR foi eleito, em 2016, com menos de 25% dos eleitores inscritos. O mesmo é dizer que apenas mereceu a confiança expressa de 1 em cada 4 portugueses e que mais de metade não votou. Resultado que, tudo leva a crer, se agravará nas eleições presidenciais em curso. A abstenção traduz, acima de tudo, o desencanto popular, constituindo a mais grave doença da democracia. Mais baixo não poderá descer porque a democracia o não suportará. Que salve a Democracia quem pode! Certo é que só o povo a pode salvar.

O que nos dizem os astros?

Sempre que um novo ano se aproxima há quem se dê ao desfrute de consultar os astros. Na verdade são os astros do céu que comandam a vida dos homens, dos animais e das plantas enquanto os da terra governam com ilusões e falsidades. A rotação do planeta em torno de si mesmo determina os dias e as noites e o seu movimento em torno do Sol marca os anos, influenciando os ciclos climáticos e vegetativos. Os astros do céu orbitam a distâncias inimagináveis e luzem no Universo por uma eternidade, enquanto os astros da terra, artistas fugazes, brilham acima de tudo e de todos no céu da política, que é o maior espectáculo. Mudar de ano, portanto, não é um mero rasgar de uma folha de calendário. Porém, se os astrónomos conseguem prever com precisão a posição dos astros do céu, não há bruxo, astrólogo ou sondagem que consiga determinar com igual rigor o posicionamento imediato dos astros que brilham no céu da política. Todavia, qualquer mortal poderá intuir que os próximos tempos não serão felizes, apesar das múltiplas vacinas contra o Covid e os milhões da Europa que já começaram ser distribuídos, à socapa. Mesmo assim muitos portugueses persistem em favorecer os astros que têm defraudado a Nação desde o nascimento da democracia, muito embora a maioria cedo se tenha remetido à mais céptica abstenção eleitoral. Frustração enorme foi a recente emanação da esquerda seráfica conhecida por “geringonça”, que António Costa liderou e a que Marcelo de Sousa, o astro guardião mor do pantanoso status quo, aderiu de alma e coração. Não é de espantar, por isso, que Portugal continue a afundar-se. Os dados mais recentes do Eurostat, o Gabinete de Estatísticas da União Europeia e o próprio  Instituto Nacional de Estatística reforçam a ideia de que o mítico jardim da Europa à beira mar plantado se converteu no subúrbio mais pobre da União. Não só no que que à economia diz respeito. Também a justiça social se degrada constantemente e os tribunais se mostram incapazes de fazer valer a democracia plena. A própria autoridade do Estado é diariamente rebaixada com escândalos recentes e preocupantes, como é o caso da GNR, que deserta e se entrincheira nos quartéis com medo de gangues tribais. Não por cobardia dos agentes mas de quem os comanda e administra politicamente. Este clamoroso fracasso governamental não é culpa da Democracia, não! É do Regime e dos políticos desonestos e medíocres que à sua sombra vegetam. Sobretudo daqueles que veneram a Constituição como se de uma vaca sagrada se trate, esquecendo que, em democracia, as leis são para cumprir e para reformar quando tal se impõe. Novo episódio eleitoral terá lugar já em Janeiro e outros se seguirão, abrindo novas e boas oportunidades para que os portugueses, sobretudo aqueles que se remeteram para a abstenção eleitoral crónica, possam provocar um mais justo reposicionamento dos astros no céu da democracia, criando conjunções astrais mais favoráveis a um Portugal mais justo e digno. Os astros do céu poderão nada nos dizer mas os artistas da política falam de mais e muito raramente cumprem o que prometem. Em nenhuma circunstância devem ser tidos, por isso mesmo, como seres celestiais. PS.: Curvo-me perante a memória do notável transmontano e estimado amigo Teófilo Vaz, dispensando à família enlutada o meu humilde conforto.

Estes são os espelhos da Nação

Há espelhos de todas as formas e feitios que dão imagens distorcidas da realidade. Quase sempre espelham a soberba e a vaidade de quem deles se serve como é o caso da bruxa má da história da Branca de Neve. O Governo português reflecte-se monstruosamente nos espelhos parabólicos que ele próprio fabrica e que deformam profundamente a Democracia. Tome-se o exemplo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) agora debaixo de fogo por causa da tortura e morte de um infeliz cidadão ucraniano. Imagem trágica, aviltante, repugnante é, de facto, a que o SEF espelha de um Governo que deixa torturar e matar imigrantes qualificados e pacíficos, portadores de cultura afim à do povo português e sinistramente privilegia falsos refugiados e potenciais terroristas manifestos inimigos dos usos e costumes nacionais. Não fora a vítima um caucasiano e o tratamento dado pelas instâncias governamentais intervenientes teria sido, por certo, mais célere e …simpático. Havemos de concluir que discriminação, xenofobia e racismo existem sim, no Governo mas não no povo português, como alguns pretendem fazer crer. Governo que está igualmente espelhado na TAP, verdadeiro sorvedouro do erário público a juntar a tantos outros que parecem apostados em levar Portugal a nova banca rota. TAP que reflecte a incompetência e a vaidade das bruxas más do Regime que pretendem justificar tão grave fracasso com o conceito, ultrapassado, de que se trata de uma companhia aérea de bandeira, que os próprios embandeiraram em desgraça, note-se. A verdade, porém, é que a missão nacional da TAP terminou com o derradeiro e dramático episódio do fim do Império: a ponte aérea que, in extremis, resgatou centenas de milhares de portugueses das ex-colónias. Para lá de que os portugueses, optam, naturalmente, por viajar na companhia que melhores condições de preço, conforto e segurança lhes oferece e ninguém os poderá acusar de falta de patriotismo por isso. A TAP, que a “geringonça” criminosamente renacionalizou, tem sido, isso sim, um luxo vicioso do Regime, de que os partidos no poder sistematicamente se serviram para, entre outras coisas, empregar principescamente milhares de apaniguados. E que dizer da Justiça, o espelho líquido pantanoso em que se reflectem os crimes maiores do Regime? Melhor será nem falar. Ainda assim o espelho parabólico que mais desfigurou a imagem da Democracia foi a “geringonça” que acabou por se partir, embora haja quem se esforce por juntar os cacos. Geringonça que se saldou num fracasso monumental dado que nada criou, construiu ou reformou e ainda mais afundou o país. Com a penúria do erário público o mor desafio da governação será repartir, com justiça utilidade e humanidade, o pouco dinheiro que há. Todavia, o PCP e o BE concorrem na distribuição demagógica de recursos financeiros que o Estado não têm, mais agravando a desgraça, enquanto o Governo insiste em esbanjar e mal repartir o pouco que resta. Tudo isto com a bênção seráfica do Presidente da República, como é óbvio. Espelhos em que se espelham o Regime e o Governo, não a Nação! Urge mudar de políticos, de políticas e reformar o Regime para salvar Portugal! O que só os portugueses poderão fazer com o bom uso do seu voto. A Constituição não é uma vaca sagrada! A todos os leitores desejo um Santo e Feliz Natal.

A novel aliança- Rui Rio – André Ventura.

Nem Rui Rio é santo nem André Ventura é diabo, ou vice- -versa. A aliança que acabam de protagonizar e que viabilizou um governo do PSD na Região Autónoma dos Açores, também não é santa e muito menos diabólica. É democrática, tão-só. Teve o topete, isso sim, de pôr termo ao consulado que governou os Açores durante 24 anos à luz de uma prática ideológica sui generis - o nepotismo socialista, prevalecente em toda a República. Destacados militantes do PSD e do CDS associaram-se a altos dignatários do PS para vituperar essa excêntrica aliança com palavras injuriosas, impróprias de gente civilizada. De que fizeram eco afamados analistas e comentadores políticos, todos afinados pelo mesmo diapasão e obedecendo à mesma batuta. Pesporrência intelectual de uns tantos, condicionados pelo status quo, que receiam que tal aliança se estenda a um futuro governo da República, o que não é de todo improvável. Argumentaram, imagine-se, que com a citada aliança falia nos Açores a mesmíssima democracia que sobreviveu, embora muito mal maltratada, à “geringonça” continental que incorporou adeptos confessos dos mais cruéis regimes totalitários da actualidade. Tudo aponta, de facto, para que o partido de André Ventura venha a crescer muito mais, ainda que, felizmente, não tanto que alcance a maioria absoluta que o habilitaria a impor à Nação, por si só, leis controversas como a pena de morte ou a castração química de pedófilos (há, por certo, outros métodos para castigar os violadores e reparar as vítimas), que requereriam, para lá do mais, o inevitável juízo constitucional. Normas que muito menos poderiam ser impostas sub- -repticiamente, como o actual Governo, em conluio com o BE, vem fazendo com a Ideologia de Género nas escolas. Assustador, para muitos, isso sim, é perceberem que o Chega, chamam-lhe o que quiserem, é o partido que no presente melhor lê, interpreta e cativa o sentir profundo do povo anónimo, não racista, não xenófobo e muito menos fascista, que anda justamente revoltado por ser constantemente desrespeitado, enganado e espoliado. Chega que poderá crescer o suficiente para se constituir no parceiro inevitável do PSD, (a seu tempo se verá), cumprindo a Rui Rio e a André Ventura a patriótica missão de resgatar a dignidade da Democracia, concertando reformas políticas e sociais que a “geringonça” postergou, designadamente: - A revisão da Constituição e leis correlativas moralizando e democratizando o Regime; - A reforma do Estado, reduzindo luxos e inutilidades e tornando-o menos oneroso e mais eficiente; - A reforma do Sistema de Justiça conferindo-lhe maior independência, credibilidade e eficácia no combate à corrupção; - A igualdade de direitos e deveres independentemente da raça, credo, status social ou filiação partidária; - O combate bem sucedido à pobreza, à dependência e ao vício; - A distinção entre refugiados, imigrantes e potenciais terroristas, salvaguardando os Direitos do Homem e a Segurança Nacional. Trata-se, em última análise, de reparar malformações do Regime que desacreditam a Democracia, que estão na base da falência do Estado e da efervescente revolta popular. Assim sendo lícito é perguntar: a quem mete medo, afinal, a aliança Rui Rio-André Ventura?! Uma coisa é certa: democracia não é capa e amparo de vigaristas e traidores

Quarta vaga. O baile das máscaras.

Muitos se lembrarão, certamente, do livro A Terceira Vaga, da autoria do nova-iorquino Alvin Toffler, publicado em 1980 e que mereceu a atenção de meio mundo. Justamente porque Alvin Toffler antecipou inúmeras inovações, hoje em dia triviais, delimitando com objectividade a dilatada Civilização Agrária e a mais incisiva e fugaz Revolução Industrial. Os primeiros efeitos de uma quarta vaga já se fazem sentir na economia, na sociedade e na ética, sendo difícil prever quanto tempo durará e como terminará, muito embora esteja a ganhar forma de catástrofe niilista. Desejável seria que redundasse num mundo mais saudável, sereno, livre e justo, epílogo feliz da sofrida civilização greco/latina/judaica/ cristã, que continua a iluminar a Humanidade com a luz da Esperança. As também designadas vagas da pandemia Covid constituem um dramático pronúncio dessa quarta vaga que inexoravelmente varrerá toda a Terra, porque todas as nações estão irremediavelmente amarradas pelos laços da mundialização e da globalização, ainda que os primeiros efeitos se sintam mais intensamente no chamado mundo livre. Desçamos à terra, porém, que é como quem diz ao pequeno Portugal, por agora. Mais do que nunca é hoje verdadeiro o rifão “quem vê um povo vê o mundo todo”, muito embora nas modestas aldeias transmontanas ainda se não se sinta, felizmente, a miséria e o descalabro moral que grassa um pouco por todo o mundo. Oportuno, embora altamente simbólico e paradoxal, é o uso de máscaras em Portugal: os cidadãos são compelidos a andar mascarados enquanto os políticos e os partidos se veem forçados a desmascararem-se. Foi o que aconteceu na discussão do Orçamento de Estado para 2021,por exemplo. Digo discussão porque não se tratou de um digno debate democrático. Foi mais um baile de máscaras em que os dançarinos principais se foram desmascarando, à vez. Ao primeiro-ministro caiu, desde logo, a máscara de grande timoneiro da “gerigonça”, hipotético veículo de paz e progresso. Ao de cima veio, como aconteceu noutras trágicas situações, a sua incapacidade para coordenar eficazmente o Governo. O BE deixou cair a máscara da social-democracia com que se vinha fantasiando, para mostrar o que na verdade é: um partido de extrema-esquerda que tem como bandeira a ideologia de género e destino a Venezuela ou Cuba, na melhor hipótese. O PCP aliviou, circunstancialmente, a máscara de paladino da democracia e da liberdade confirmando ser um espectro vivo do anacrónico sovietismo. O PSD e o CDS apresentaram-se como realmente são: duas matronas, sem máscaras, alapadas no salão de baile da manjedoura pública, à espera de vez e par para dançar. O próprio Presidente da República viu-se forçado a reciclar a máscara de santinho bonacheirão para afivelar a de pessoa grave e sofrida, mais adequada ao momento e à campanha eleitoral que se avizinha. Resumindo: a crise, se por um lado obriga os cidadãos a andar mascarados, por outro arranca as máscaras aos políticos, pondo-lhes a descoberto os verdadeiros rostos e propósitos. Compete aos portugueses fazer uso escrupuloso da máscara sanitária, lavar bem as mãos e manter as distâncias, no dia-a-dia e, sobretudo, quando chamados a votar. Para evitarem ser contagiados pelo Covid e conspurcados com os dejectos da porca política portuguesa.

Quo vadis Francisco?!

Enquanto cidadão e crente tenho o actual Papa em alta estima. Aprecio, sobretudo, a humildade e bonomia que lhe conferem a imagem de homem bom. Dificilmente o consigo imaginar como herege, muito menos como o anticristo que certos ficcionistas sugerem. Vejo, contudo, Jorge Bergoglio como o Papa dos equívocos doutrinários. Senão vejamos. A Humanidade vive tempos de mudança global dramáticos, particularmente visíveis nos domínios da ética e dos usos e costumes, e a Igreja Católica Romana, a maior organização que alguma vez operou sobre a Terra e por tempo tão dilatado, está no centro do furacão. O seu chefe supremo não tem, portanto, uma tarefa fácil. Bem pelo contrário: gestos, palavras e silêncios são inexoravelmente avaliados, contados, pesados e medidos, sempre havendo quem os aplauda e quem os condene. Cristo que é Cristo não agrada a toda gente! No coração da Igreja Católica que é a Santa Sé, instalada no Vaticano, a pequena cidade-estado a que Bergoglio preside, moram todos os vícios do mundo, ao que se diz. Não é de admirar que, se por um lado, Francisco cativa meio mundo com sua bondade, por outro lance a desunião e a animosidade entre as hostes católicas. Para gáudio dos inimigos da Igreja, já se vê. Ainda que na maior parte dos casos o discurso de Jorge Bergoglio, por regra circunstancial e pouco cuidado, seja mal interpretado ou mesmo maliciosamente deformado. Assim foi quando, numa celebre homilia proferida em Nova Iorque, afirmou, referindo-se a Jesus Cristo: “a sua vida, humanamente falando, acabou com um fracasso: o fracasso da cruz”. Mais pacífico e convincente teria sido, quanto a mim, se tivesse falado em sucesso. Ou quando promove o diálogo inter-religioso com os muçulmanos inimigos declarados de todas a religiões que não a deles. Ou quando estabelece acordos controversos com a China totalitária que, como é do domínio público, continua a perseguir e a martirizar os cristãos chineses. Ou quando discorre sobre a propriedade privada e não distingue o lar e a pequena horta do humilde cidadão dos empórios capitalistas que lançam tenebrosos sistemas de exploração sobre a Humanidade. Ou quando silencia as trágicas perseguições de comunidades cristãs em várias partes do planeta. Ou ainda quando, mais recentemente, promoveu as uniões homossexuais o que, para a maioria dos crentes e doutores da Igreja, indicia um claríssimo desvio doutrinal e promove o descrédito da castidade, a virtude maior de santos e mártires. Grande é a controvérsia que reina nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais sobre o que o Papa disse, não disse ou queria dizer. A verdade é que as organizações homossexuais exultaram de alegria enquanto muitos católicos se manifestaram escandalizados. Órgãos oficiais da Igreja, porém, apressaram-se a garantir não haver mudança da doutrina, nenhuma confusão com casamento entre homem e mulher e que, lamentavelmente, a imprensa não foi nada caridosa com o Papa mais uma vez. Saberá o Papa por onde anda, para onde vai e leva a Igreja? Será que Jorge Bergoglio privilegia o papel político de presidente do Estado Vaticano em detrimento do múnus espiritual? Quando menos espera, Jesus Cristo vai sair-lhe ao caminho como o fez com São Pedro, quando este abandonava Roma por via das perseguições e interpelá-lo: Quo vadis Francisco?! Qual será a resposta de Bergoglio? A seu tempo se verá.

O Cristo Maconde

Nangololo é uma localidade situada no Planalto dos Macondes, bem no coração de Cabo Delgado, a província mais a norte de Moçambique. Ali, em 1924, padres holandeses fundaram uma importante Missão Católica a partir da qual cristianizaram o aguerrido povo maconde, animista, especialmente notado porque os homens desfiguravam o rosto com golpes profundos e as mulheres usavam brincos aguçados no lábio superior, à laia dos modernos piercings e tatuagens, tão na moda hoje em dia. Enfeites que, dizem os antropólogos, se destinavam, nos primórdios, a dissuadir os esclavagistas árabes de os escravizar, acabando por se constituir em emblemas tribais. O Cristo Maconde Sublime de amor e sofrimento era o Crucifixo que se erguia por cima do altar-mor da enorme igreja da mítica Missão. Talhado em pau-preto, dizia- -se que o artista maconde que o esculpiu se representara a si próprio, em tamanho real, negro e luminoso como o mais puro ébano, não faltando no sagrado rosto do Crucificado tatuagens iguais às que o seu humilde criador exibia na sua própria face. Muito perto de Nangololo teve lugar o primeiro episódio funesto da guerra da independência com o assassinato por guerrilheiros da Frelimo, no dia 24 de Agosto de 1964, de Daniel Boormans, um jovem padre holandês que contava 33 anos à hora da morte, a idade do próprio Cristo. De salientar que o povo maconde, de moto-próprio, acalentou o sonho de se constituir numa pátria autónoma, razão pela qual os nacionalistas principais, de entre os quais destaco Lázaro Kavandame, foram fuzilados pela guerrilha marxista-leninista que na sua sanha totalitária reivindicou a herança colonial íntegra, um tanto à semelhança do que hoje acontece entre Angola e Cabinda. Surgem agora, decorridos quase 50 anos, notícias dramáticas da eclosão de violentos conflitos armados por todo o Cabo Delgado sendo que a mais amarga de todas refere a destruição daquela notável Missão Católica, apontando-se o dedo a islamitas radicais, motivados pelo mais cruel fanatismo religioso. Também se noticia que Cabo Delgado possui riquíssimos recursos energéticos de que o colonialismo português não ousou tirar partido e que igualmente poderão explicar a guerra, a par do remanescente nacionalismo maconde. Reconhecendo a sua incapacidade para controlar a situação o governo de Maputo terá pedido o auxílio da União Europeia e o Governo português ter-se-á declarado disponível para colaborar, designadamente no campo militar. Em Cabo Delgado a História fala por si, a defesa da língua portuguesa conta, a solidariedade com o martirizado povo maconde é um imperativo moral e a possibilidade de uma mais alargada cooperação com o Estado moçambicano não deve ser descurada. Acresce que forças militares portuguesas estão empenhadas, com assinalável sucesso, noutras regiões africanas que nada dizem a Portugal e que a defesa da Europa, ameaçada pelo terrorismo islâmico, se trava igualmente no planalto maconde. Sem esquecer que a memória dos muitos militares portugueses, combatentes da I Grande Guerra e da dita Guerra Colonial, que por lá permanecem sepultados, deve ser honrada, da mesma forma que os mártires nacionalistas macondes não podem continuar esquecidos. É por tudo isto que a disponibilidade declarada pelo Governo português para prestar auxílio militar a Moçambique deve ser encorajada. Sobrepensando, claro está, eventuais baixas em combate.

Abençoado populismo! Benditos populistas!

Parafraseando aquela engraçada adivinha da pescada, pergunto: quem será o candidato à Presidência da República, que antes de o ser já o é? A resposta é óbvia: Marcelo de Sousa, um presidente sempre presente, contente e sorridente, embora tenha mais que chorar do que rir. Com o descalabro da Saúde, por exemplo, e a vergonhosa falência da Justiça, que atafulha esqueletos nos armários. É óbvio que se Marcelo de Sousa honrar a coerência e lisura que dizem ser seu timbre abandonará o cargo presidencial no final do presente exercício porquanto, quando em 2014 analisou, na televisão, os oito anos da presidência de Cavaco Silva, defendeu categoricamente que “o próximo presidente”, fosse quem fosse, não deveria candidatar-se a um segundo mandato. Não pensava, na altura, por certo, que o próximo seria ele. Marcelo de Sousa, porém, não está só nesta matéria. É seu “companhon de route” António Costa que declarou, em 2009, “não haver partido à esquerda que merecesse credibilidade para uma coligação com o PS” e qualificou o Bloco de Esquerda como «um partido oportunista que parasita a desgraça alheia e incapaz de assumir responsabilidades». Ironia do destino: o BE viria a constituir-se, pela mão do próprio António Costa, num dos esteios da “geringonça”, a sua tábua de salvação. Já que à rede veio pescada também as pescadinhas de rabo na boca merecem ser citadas. Senão vejamos: o PCP, fiel aos seus sacrossantos preconceitos, acaba de anunciar João Ferreira como o candidato da praxe. O BE idem aspas: recandidata a candidata anterior como se de um fetiche se trate. Fica-se com a ideia de que o que verdadeiramente pretende é renovar a registo de Marisa Matias em Bruxelas. No PS repete-se o escabeche do costume, o que levou Ana Gomes saltar fora do covil socialista. Já o PSD de Rui Rio continua com o motor gripado, à espera do reboque do PS. PS e PSD que têm um objectivo comum: repartir os privilégios e mordomias que o Regime lhes confere, sendo que só o populista pró-sistema Marcelo de Sousa os une nessa antidemocrática função. Concluindo: andam todos a morder os rabos, como as populares pescadinhas. Falta saber quantos do PS irão votar em Ana Gomes, quantos do PSD e do CDS irão votar em André Ventura e qual destes será capaz de seduzir maior número de abstencionistas, passar à segunda volta e eventualmente destronar Marcelo de Sousa. Cenário que não é de todo despiciendo face à imprevisibilidade reinante na política nacional. Poderemos contudo admitir que se a populista Ana Gomes for eleita nenhum mal virá ao Regime ainda que a “geringonça” possa voar mais alto nos céus socialistas e só aterre na Venezuela. Mais incerto é o que acontecerá se o populista André Ventura for eleito, ainda que o presidente da viciosa república lusitana não tenha mais poder que a decorativa rainha de Espanha. Será que PCP e o BE passam à luta armada? Instalar-se-á uma guerra civil em Portugal? PSD e PS coligar-se-ão, finalmente, para defender o Sistema? Ou será que tudo vai continuar como está, com o Estado transformado numa monstruosa pescada que morde o próprio rabo, servida com arroz de malandros, o prato predilecto dos lambões do erário público? Imbróglio que só os eleitores que o mais lídimo populismo nacionalista conseguir mobilizar, poderão desfazer. Abençoado populismo! Benditos populistas! São a nossa derradeira esperança!

Deixem as crianças ser crianças, as mulheres ser mães e os homens ser pais!

Não é produto de fábrica nem vem de Paris no bico de uma cegonha. Muito menos é arranjo aleatório de cromossomas manipulável por passes mágicos, como pretende certa ciência esotérica. Nasce no ventre de uma mulher concreta, a mãe, mesmo quando se trata de barriga de aluguer e de inseminação artificial. A sua sobrevivência e crescimento depende daqueles que dela cuidam com insubstituível amor e carinho, ainda que possam não ser os seus procriadores. Por isso se diz que pertence aos pais, não sendo admissível que o Estado se intrometa na sua sagrada intimidade sem motivos para tanto. Só a partir do momento em que a criança deixa de o ser porque alcança a maioridade, o Estado e a Sociedade devem dar continuidade à sua formação e civilidade. Princípios que o Governo português está ostensivamente a subverter. De entre os factos que mais desacreditam o Regime vigente, que penaliza gravosamente as crianças e as famílias, destacam-se a corrupção, a ineficácia da Justiça e o facciosismo político. A estas gravíssimas deficiências regimentais o actual primeiro- -ministro acrescentou uma nova mais subtil: a prostituição do poder. Não se trata de constituir as maiorias parlamentares necessárias à viabilização de governos, que é uma das maiores virtudes da democracia, mas da traição oportunista do eleitorado e do abandono de princípios éticos e programáticos. O que está bem patente no plano maquiavélico de gravar, à sorrelfa, nas indefesas mentes infantis, embrulhados no enganador pacote da Educação para a Cidadania e Desenvolvimento (ECD), princípios e prácticas da diabólica Ideologia de Género, que não deve ser confundida como muitos maldosamente pretendem, com a Igualdade de Género que trata da dignificação plena da mulher, que já tarda. Há testemunhos documentados nas redes sociais de que a coberto desta disciplina se cometem verdadeiros crimes contra as crianças, que merecem ser investigados por quem de direito. Urge que o povo português tome consciência desta monstruosa conspiração que ofende gravosamente os fundamentos morais da Nação. Entretanto um grupo de afamadas celebridades dirigiu ao Presidente da República um tímido baixo assinado defendendo a objecção de consciência dos pais perante estas sinistras prácticas educativas. Em resposta um grupo de notáveis de outra cor e fama promoveu um mais agressivo manifesto defendendo o contrário, isto é, que a ECD não pode ser objecto de objeção de consciência. Fica-se com a ideia de não haver, nuns e noutros, lucidez suficiente, antes facciosismo a mais e moral a menos porquanto o verdadeiro problema não é a dita disciplina escolar, mesmo se contemplar uma sadia educação sexual, mas o facto de servir de cavalo de Tróia da diabólica Ideologia do Género que, entre outras ideias abjectas, defende a licitude da pedofilia e das relações incestuosas, designadamente entre pais e filhos. Uns e outros deviam, isso sim, pugnar para impedir que tão sinistros educadores possam tratar as crianças como lhes dá na maléfica gana. E porque não ouvir os portugueses em referendo sobre esta matéria, à semelhança da Eutanásia e do Aborto? Deixem as crianças ser crianças, as mulheres ser mães e os homens ser pais! Para que a paz e a tolerância reinem entre todos.

Quem governa Portugal, afinal?

Há sinais preocupantes de que a pandemia ameaça lançar Portugal num verdadeiro pandemónio. 
Sobretudo no que à política diz respeito com a generalidade dos políticos a dar provas de não estar à altura dos acontecimentos, dando crédito ao sentimento popular que aponta nesse sentido. 
O exemplo mais recente é a tragédia do lar de Reguengos de Monsaraz à qual o truculento António Costa respondeu com a grosseria que é seu timbre, procurando redimir-se de mais um trágico fracasso da sua administração. 
Valeu-lhe, desta vez, a inocência do bastonário da Ordem dos Médicos que se prestou a passar de acusador a cúmplice.
No ataque à crise sanitária o Governo continua a não saber às quantas anda e a Oposição dá uma no cravo e outra na ferradura.
No que à gestão da crise económica diz respeito a direita tradicional nada de bom acrescenta, nem de mau tira, à política avulsa do Governo, enquanto as esquerdas peregrinas persistem na agitação social e na demagogia irresponsável.
O BE, mais precisamente, travestido de social-democrata para o baile eleitoral, anda a promover o racismo a preto e branco, que diz combater, esquecendo os ciganos, entre outros, porque estes não estão pelos ajustes.
Emblemática é a teimosia do PCP que persiste em realizar a Festa do Avante contra tudo e contra todos, desafiando ostensivamente o Governo que mete os pés pelas mãos e responde com a costumeira frouxidão. 
Entretanto continuam palpitantes, quiçá para sempre, porque envolvem altos governantes e banqueiros, múltiplos crimes de colarinho branco com contornos de traição à Pátria.
Também não é novidade para ninguém que o primeiro-ministro dá prioridade à gestão dos interesses da alargada família socialista em detrimento do interesse nacional e do governo da Nação.
Enquanto o presidente da república, na opinião de analistas autorizados, continua apostado em bater o record de votos da desgraçada democracia portuguesa, em competição com o defunto Mário Soares.
Governar, porém, é muito mais do que prostituir o poder democrático, arte em que António Costa se celebrizou.
Não é de espantar, por isso, que a massa anónima de descontentes em que prevalece o atávico sentimento nacional esteja a crescer a olhos vistos e a ganhar decisiva força eleitoral.
De tudo isto tira partido a novíssima direita, ainda em formação, para se afirmar e crescer vertiginosamente.
Enquanto os partidos situacionistas e os depredadores do Estado, tentam desesperadamente debelar o fenómeno associando-o a fantasmagóricas emanações fascistas.
Melhor seria que parassem de gritar “aí vem lobo” e tratassem de concertar as reformas fundamentais, enquanto é tempo.
Nunca a democracia esteve tão periclitante e tantas dúvidas houve sobre quem na verdade governa Portugal.
Serão os chineses da EDP? Os agiotas do Novo Banco? É Bruxelas? Serão sociedades secretas? Será o velho e alquebrado Jerónimo de Sousa? A teatral Catarina Martins? O inefável Mamadou Ba? A encantadora Joceline Moreira?
Serão as televisões? Os jornais? Os “entertainers” Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira? 
São os cães? São os gatos?
Eu diria que todos desgovernam à vez e que ninguém governa coisa nenhuma. E que Portugal continua ao deus-dará.
Que está nas mãos dos incendiários políticos e florestais.
Ao sabor do Covid.

Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.