Carla Alves quer reabertura dos mercados locais
Qui, 23/04/2020 - 13:31
A directora Regional de Agricultura e Pescas do Norte considera fundamental que sejam reactivados os mercados locais para escoar as produções agrícolas regionais.
Qui, 23/04/2020 - 13:31
A directora Regional de Agricultura e Pescas do Norte considera fundamental que sejam reactivados os mercados locais para escoar as produções agrícolas regionais.
Qui, 23/04/2020 - 13:29
Como forma de apoiar a comunicação social, nos tempos de pandemia que correm, o Governo vai comprar 15 milhões de euros em publicidade institucional.
Qui, 23/04/2020 - 13:25
Perante a situação a autarquia de Vinhais decidiu, em concordância com o agrupamento de escolas D. Afonso III da vila, entregar e recolher material pedagógico nas moradas dos alunos.
Qui, 23/04/2020 - 13:17
O presidente da câmara de Bragança e também membro da Comissão Distrital de Protecção Civil pediu que fosse marcada uma reunião urgente desta comissão, com a presença do presidente do conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste e do Secretário de Estado da Mobilidade, responsá
Qui, 23/04/2020 - 13:13
O município de Bragança cancelou os contratos com as empresas de transporte escolar que estavam estabelecidos até Junho. A decisão foi tomada no seguimento do encerramento das escolas devido ao surto da Covid-19, visto que agora não há alunos para transportar.
Qui, 23/04/2020 - 13:08
A Ordem dos Enfermeiros denuncia que a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste está a pedir aos enfermeiros com Covid-19 que apresentem um atestado médico para doença natural com internamento.
Como se transmite esta doença?
A COVID-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus e/ou pelo contacto com superfícies e objetos contaminados.
Esta doença transmite-se através de gotículas libertadas pelo nariz ou boca quando tossimos ou espirramos, que podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo.
Qui, 23/04/2020 - 11:14
Olá, como vão os leitores da página do Tio João?
Estamos numa fase da vida em que nos rende muito o tempo, de dia nunca mais é de noite e à noite nunca mais é de dia, parece um poço sem fundo.
No que diz respeito à vida de confinamento, é muito diferente viver na cidade ou na aldeia, porque na aldeia sempre têm as hortas e os seus campos ao lado de sua casa, num apartamento vive-se fechado entre quatro paredes.
Este ano o provérbio «Abril, águas mil» está certo, o tempo tem estado instável, pois tanto faz sol como chove e por vezes com trovoadas e zurvadas de água.
“Deus perdoa, a natureza não perdoa!” – Vociferava o presbítero nos já longínquos anos 80 do século passado. Bem podia ser este o mote de uma reflexão sobre os pecados da humanidade ou de um discurso apocalíptico. De pecados, cada um sabe dos seus e quanto a discursos… ninguém me encomendou o sermão nem tão pouco partilho teorias milenaristas. Por isso, quanto ao tema do momento, acredito que também ele há de passar, aos poucos iremos esquecer, mas nem tudo ficará como antes. Decerto que nos motores de busca as pesquisas sobre o Covid-19 se manterão no top por mais algum tempo, restando-nos a esperança de que as perdas não sejam demasiadas e o governo continue a saber coordenar tal como tem feito até agora.
Depois da romantização do vírus e de um mês de estado de emergência, bem para todos, continua a poetizar-se a situação; ainda não sei se este é um mecanismo psicológico de reação a algo que assusta, ou ainda não houve a capacidade coletiva de entender que, depois disto, nada será como dantes. Os sinais, a cada dia que passa vão aparecendo: é a família do lado que tem dinheiro apenas para pagar as despesas deste mês; é a outra onde antes havia dois salários passou a haver um; são os quatro filhos que faziam três refeições na escola (dois suplementos e o almoço) e agora estão sete dias em casa e continuam a comer, numa expressão só: perda de rendimentos. Esta é a realidade próxima que começa a emergir porque não há forma de se esconder. Por isto, não admira que os especialistas tracem cenários onde a pobreza não só vai aumentar como irá atingir índices próximos daquilo que foi há trinta anos. Não partilho, contudo, de um quadro tão negro. Basta pensar que, em termos habitacionais, o índice de construção nos últimos anos atingiu um expoente máximo, pelo que não creio que iremos ver, de novo, a chuva a entrar pelo telhado enquanto as camas se cobrem com plásticos e alguidares. Também não vislumbro que se volte a andar de burro no centro das cidades, mesmo na província. No entanto, muitos terão de aprender a viver com menos e onde agora há piscina e jardim, talvez vejamos hortícolas e leguminosas – o retorno à agricultura familiar há muito defendido por princípios ecológicos. Talvez se tenha de redescobrir a natureza e o equilíbrio dos ecossistemas e que não é necessário ter televisões com cem canais e, sobretudo, entender que se tem de cuidar da natureza para que a natureza cuide de nós.
Como já sou do tempo da ditadura isto não me assusta. Aterroriza-me, isso sim, o preço que iremos pagar para manter a saúde: prescindir da liberdade individual. Neste novo mundo que aos poucos vai surgindo, já não será apenas a internet a vasculhar a nossa história, mas as próprias instituições de um mundo supostamente democrático poderão continuar a monitorizar dados pessoais sob uma pretensa proteção sanitária. Os dados biométricos já não serão exclusivo de seguradoras a quem concedemos autorização, mas não será tão alienado quanto isso pensar-se que órgãos governamentais irão dispor dos mesmos hora a hora – as app’s já estão aí e em novembro passado, participei numa discussão onde se debatia a possibilidade de dados desta natureza virem a ser partilhados entre o ministério da educação, saúde e segurança social. À medida que cada um prescindir dos seus direitos, sacrificará a sua capacidade de ação num mundo que será cada vez menos liberal. Da minha parte, já constatei o que significa a medição da temperatura ao transpor o limiar de uma porta e, cumprindo o regulamento, a obrigatoriedade de desinfectar mãos e calçado, bem como manter o distanciamento social o que implicou não abraçar, não beijar nem saudar a quem, durante anos, o fiz.
Creio que, em breve, compreenderemos que esta pandemia não se resolve com o confinamento – vai ser necessário muito mais e, entre esse mais, estarão os valores universais da humanidade com destaque para o respeito para com o outro, a solidariedade, o altruísmo e, sobretudo, o equilíbrio entre nós e a natureza. Nesta encruzilhada, exigem-se lideranças fortes, capazes de dar estabilidade às nações mas também são necessários visionários que pondo de lado os modelos matemáticos, as projeções e as probabilidades, sejam capazes de apontar novos caminhos. A velha Europa aprenda com os erros do passado e saiba manter-se unidade porque o futuro é incerto.
Resignados na nossa condição de gente esperançosa aguardando melhores dias, até que tudo seja debelado, somos convidados para a leitura. Livros há muitos e muitos são os que estão ao nosso alcance. De leitura acessível, alimentam a nossa imaginação, trazendo-nos um bem-estar que muito ambicionamos.
Ler escritores portugueses em detrimento de estrangeiros, é uma manifestação de boa escolha. Somos herdeiros de uma literatura que nos honra e que nos apraz. Há os escritores que são nossos contemporâneos, entendendo aqueles cuja existência está próxima da nossa, e há os que nunca passaram de moda, conquanto tenham vivido em tempos recuados e que nunca passaram de moda. Teríamos um rol de não mais findar.
Com a China no nosso horizonte, cada vez mais próxima de nós, quer sob o ponto de vista comercial, quer pelas razões que estão na origem do mal que nos avassala, ler um texto que tenha a China dentro, é motivo que não rejeitamos. Se Camilo Pessanha e Venceslau de Moraes transportaram consigo o império celeste, sem esquecer Fernão Mendes Pinto, que na Peregrinação nos apresentou os bons costumes do Oriente, transportando consigo o anátema de Fernão! Mentes? Minto, voltar a Eça de Queirós é ler o que de melhor se escreveu nas páginas do texto português.
E a China lá está em O Mandarim, mais um sopro da boa literatura, na linha do que Eça nos legou.
Lemo-lo de um fôlego. É verdade que um livro se lê tantas vezes quantas as necessárias. Neste momento de Páscoa em clausura, O Mandarim que cheira a chinês, preenche-nos o prazer do texto. Ligados a Teodoro e de braço dado com a personagem principal, somos levados para um mundo que não se sabe para onde vai e até onde chega. História hilariante a mostrar o poder da pecúnia. Mudam-se os dinheiros, mudam-se as vontades…
Escrita de grande leveza e simplicidade. Acessível a qualquer leitor. Uma espécie de ensaio, onde não falta um propósito de vida. Lê-se bem e com prazer. Nós recordámo-lo e voltámos a apreciar. Esquecemo-nos do tempo que passa e usufruímos do prazer da vida, agora que ela nos é tão madrasta.