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Futebol Clube Vinhais uma equipa cem por cento “made in Portugal”

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Ter, 23/04/2019 - 16:24


Na capital do fumeiro só se fala a língua de Camões. Uma raridade nos tempos que correm se olharmos para o panorama actual do futebol distrital. Os clubes são formados, na maioria, por jogadores estrangeiros mas o FC Vinhais é uma excepção à regra.

Rui Muga e Lucinda Moreiras vencem “Trail Arribas do Douro” e sagram-se campeões distritais

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Ter, 23/04/2019 - 16:16


Lucinda Moreiras, em femininos, e Rui Muga, em masculinos, foram os vencedores do "Trail Arribas do Douro", a quarta e última prova do Campeonato Distrital de Trail, realizado no sábado, na vila de Sendim.

Boas festas da Sagrada Ressurreição

Ter, 23/04/2019 - 10:39


Olá familiazinha. Que Jesus tenha ressuscitado nos vossos corações!

Estamos na semana da Páscoa, a caminho da Pascoela. A Páscoa varia entre os dias 23 de Março e 24 de Abril. Recordo que em 2008 a Páscoa foi no dia 23 de Março e em 2016 também foi em Março, no dia 27. Como diz o provérbio popular: “Páscoa em Março, ou fome ou mortaço”. Quando a Páscoa é depois de vinte de Abril, também se diz “Páscoa alta, chumbo na malta”. A verdade é que antes e depois da Páscoa tivemos chuva e nos próximos dias é previsível que as temperaturas mínimas baixem.

O euro está de parabéns

Foi há 20 anos que o euro entrou oficialmente nas nossas vidas. Passaram apenas duas décadas desde que, a 1 de janeiro de 1999, o euro se tornou moeda oficial em 11 países – entre os quais Portugal, que esteve na linha da frente e apostou na moeda única desde o início. Para uma moeda, 20 anos é muito pouco tempo. Ainda assim, neste curto intervalo, o euro já foi alargado a 19 países e já se tornou na segunda moeda mais utilizada no mundo.

Foi há 20 anos que a moeda foi criada, mas só há 17 entrou realmente nas nossas carteiras. Hoje, é um símbolo da União Europeia – uma marca da nossa unidade e do compromisso que temos com os nossos irmãos europeus. 17 anos volvidos o euro está nas carteiras de mais de 340 milhões de pessoas e tornou-se um dos maiores ícones da união entre todos os europeus.

Com o euro, conseguimos garantir maior estabilidade de preços, mais transparência e mais concorrência nos mercados. Mas a moeda não teve apenas impacto direto na economia das empresas: todos os cidadãos dos 19 países que usam o euro usufruem, no seu dia-a-dia, das suas vantagens. Tornou-se mais simples viajar e, comprar noutros países; os sistemas de pagamento ficaram mais seguros e os preços das transferências bancárias diminuíram; as taxas de juro desceram e, por essa via, o acesso a casa própria ficou facilitado. Embora não reparemos todos os dias nesses benefícios 74 % dos cidadãos europeus afirmam que o euro é positivo para a União Europeia, tal como revelou o Eurobarómetro de novembro de 2018.

É certo que nem tudo foi um mar de rosas ao longo destes vinte anos. Já com o euro, vivemos uma fase complicada de instabilidade económica na Europa, que se refletiu em anos de uma crise muito penalizadora para os portugueses. Como todos os projetos, a implementação do euro na Europa foi um processo – que, aliás, ainda não está totalmente terminado. Ou seja, nem tudo foi nem é perfeito. No entretanto, a nossa missão continua a ser a mesma: garantir maior proteção para os cidadãos europeus.

Estou convicta de que quando falamos do euro falamos de um dos maiores êxitos que tivemos na Europa. Atingimos um marco histórico, é verdade, mas não devemos ficar presos ao que está para trás e a medir progressos ou conquistas. O futuro do euro ainda está a ser construído e é nisso que temos de nos concentrar: em concluir a União Económica e Monetária. Celebrar 20 anos do euro nada significa se ele não sobreviver às próximas duas décadas. O nosso papel, enquanto União Europeia, tem de ser o de garantir que este símbolo de unidade e estabilidade se prolonga por muitos mais anos. Para isso, não temos apenas de agradecer ao euro: temos de trabalhar para que ele continue a garantir a segurança dos nossos cidadãos. E para que, daqui a 20 anos, possamos celebrar mais duas décadas de uma moeda única bem-sucedida.

 

Sofia Colares Alves

Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal

Uma questão de ética

Se o mundo girasse ao ritmo das notícias e os problemas se resolvessem de acordo com o alinhamento, a realidade seria diferente e as probabilidades do ser humano concretizar os seus sonhos aumentaria exponencialmente. Se daí decorreria um acréscimo no índice de felicidade, já não seria tão linear, embora em alguns momentos seria o que de melhor poderia acontecer à humanidade.

No momento em que o incêndio da catedral de Notre-Dame centra as atenções do mundo e o acidente da Madeira preocupa os portugueses, tudo o que alimentou a comunicação social nos últimos dias, deixou de existir. Há, no entanto, outros assuntos que nem sequer fizeram parte do alinhamento dos noticiários ou, se tal aconteceu, a abordagem ficou-se pela superficialidade não havendo, por isso, a desejada proporcionalidade entre o impacto na vida das pessoas e o desenvolvimento dado. Na altura em que o país viveu um dos momentos mais tensos em termos energéticos, deparamo-nos com a comunicação social a alimentar a histeria coletiva e a contribuir para um clima de alarmismo reforçando a ideia de que está iminente a ruptura de stocks. De norte a sul, as filas para abastecer foram intermináveis, havendo quem não só tivesse atestado o depósito como adquirisse bidões de reserva, quadruplicando, em setenta e duas horas, a despesa mensal de combustível. Este surto tão caraterístico das massas desinformadas alastrou-se aos bens de primeira necessidade com receio que o transporte de mercadorias pudesse ser afetado. Perante tal cenário, impõe-se questionar quem ganha e quem perde numa situação que revestindo-se de alguma gravidade não foi, porém, catastrófica e irreversível. Como se viu, bastou que as partes se tenham entendido.

A fazer fé no Expresso de 17.04.2019, desde um de abril havia o pré-aviso de greve pelo que, a onze do corrente, o governo decretou serviços mínimos para o sector. Não sendo, porém, uma das partes envolvidas no conflito tinha, no entanto, o dever de salvaguardar o bem comum e de gerir de outro modo a tensão que, previamente, se sabia resultar neste tipo de ocorrências. Não se pretende com isto dizer que a tutela foi conivente com os grupos maioritários do sector. Contudo, ao segundo dia de greve, os preços dos combustíveis dispararam e, desta vez, nada teve a ver com a cotação da matéria-prima nos mercados internacionais nem com o aumento das taxas sobre os produtos. Ou seja, alguém comprou barato e, em resultado da conjuntura, vendeu caro e nem a comunicação social nem a maioria dos consumidores se aperceberam de que se está a pagar mais por menos. Não será também fruto do acaso que, nos postos de algumas das marcas, se encontra afixada informação dizendo que determinado tipo de cartão (frota) se encontra suprimido por motivos alheios à própria marca.

A reivindicação do reconhecimento de uma categoria profissional específica e uma diferenciação salarial dos restantes motoristas até pode ser legítima e facilmente compreendida pela população em geral. Porém, deve-se refletir se é legítimo um grupo profissional, com cerca de mil membros, ter um país em suspenso e a cada hora que passa mais paralisado. Para minimizar o impacto, agiu bem António Costa ao criar a rede estratégica de postos de abastecimento destinada a abastecer sectores prioritários na área da segurança e da saúde.

Destas setenta e duas horas devem retirar-se as devidas ilações, sendo que a primeira é a necessidade premente de rever a dependência do país em relação à energia fóssil, a segunda é a legitimidade em interromper as prospecções de petróleo que estavam em curso. Parecendo duas linhas contraditórias, o certo é que uma deve complementar a outra. Por um lado, é imperativo a diversificação das fontes energéticas, sobretudo, com uma aposta séria na chamada “energia limpa”, por outro, e porque a diversificação dos recursos é fundamental, deve dar-se oportunidade ao petróleo, sendo capazes de entender que já passaram mais de setenta anos da primeira tentativa de o encontrar em território português. Hoje há estudos de impacto ambiental e, enquanto não se atinge a neutralidade carbónica, teremos de nos governar com o que aparecer.

Entretanto, nós, transmontanos, mais uma vez olhamos para lá da fronteira e, andando mais uns quilómetros, abasteceremos tudo quanto quisermos. A vantagem da interioridade.

Vendavais - Sob um mesmo Deus

Nesta viagem interplanetária em que a Terra serve de base a todos quantos aqui habitam, todos ou quase todos, acreditam que um ser superior administra a relação do cosmos e dos homens e, de algum modo, criou tudo o que nos rodeia.

Desde as civilizações mais antigas que se tem isso como certo e por isso mesmo, foram todos levados a acreditar em vários deuses, porque um deveria ser pouco, ou num ser supremo que tivesse em si mesmo concentrados todos os poderes para governar todo o universo. Aos deuses deram nomes variados de acordo com os seus receios e os poderes que deles esperavam para governar as suas vidas. Desde o vento ao Sol e à Lua, passando pelo mar profundo, todos foram protagonistas de uma governação poderosa em que todos acreditavam. Séculos passados, os deuses foram ultrapassados por um só Deus, omnisciente e omnipresente, sem ter um nome específico ligado aos seus poderes. Simplesmente Deus. Muito embora acabe por ter um nome que identifica o povo que n’Ele acredita como Jeová, Alá ou até Buda, certo é que o Deus é o mesmo. Um ser superior que tudo e todos governa, não só na Terra como no Universo. E certamente haverá outros planetas e outros povos e raças que habitam neste imenso Universo. Não teremos certamente o privilégio de sermos únicos. Por que razão o seríamos?

Deste modo e pensando que este acreditar em algo pressupõe um modo de estar na vida, um modo de comportamento, um modo de interacção e um modo de convivência onde devem existir regras, é natural que essas mesmas regras sejam ensinadas aos mais novos para que, enquanto crescem as conheçam, as saibam aplicar e desenvolver corretamente. São normas de moral e ética, além de qualquer religiosidade a que se possam ligar, mas também. Afinal somos todos dirigidos por algo superior.

Deste modo, nas escolas há uma disciplina de Moral e Religião que é ministrada aos alunos para que eles tomem nota das regras de moral, de ética e também de uma certa religiosidade de que não se podem desprender. O que não se entende é a razão ou razões que levam os alunos a partir de uma idade mais madura, não quererem ter aulas de Moral e Religião. Antigamente havia esta disciplina até ao 12.º. Ano. Hoje muitos dos nossos alunos deixam de querer ter esta disciplina a partir do oitavo e nono ano e, as razões poderão ser várias. O furo das aulas que lhes dá a liberdade de privarem com outros colegas ou até saírem do espaço escolar, o desinteresse pela disciplina e pelos temas que se abordam, pela importância da Religião e o peso dela na disciplina ou até simplesmente por não quererem aulas, sejam elas quais forem. Caberá aqui à Escola e até ao Ministério, decidirem o que querem fazer para interessar os alunos por estas matérias. E quando resolvem incluir a disciplina de Cidadania para supostamente, formar alunos incutindo-lhes regras de moral e ética comportamental, ficamos sem saber realmente o que representa a disciplina de Moral e Religião! Porquê? Afinal o que se pretende não é a mesma coisa? Religiões à parte, o modo como todos se devem comportar pode e deve ser administrado por quem ensina a Moral e as suas regras. Isto é cidadania. Ser cidadão é ter moral comportamental e ética para poder desempenhar os papéis sociais a que tem direito e ocupar com dignidade os lugares que a sociedade dispõe. Ser cidadão é ser correto, honesto, é ser digno e fiel a um compromisso. Na antiga Grécia, os que eram considerados persona non grata, eram votados ao ostracismo por dez anos. Expulsos da cidade onde moravam. Fazia parte da moral e ética democrática, muito embora esta não fosse perfeita. Mas isto também se ensina hoje. Isto é Moral. São regras que a todos obrigam.

Se a disciplina de Moral e Religião Católica foi durante anos e anos a disciplina da Igreja Católica com o fundamento de que a sociedade portuguesa era essencialmente católica e esta a religião oficial do Estado Novo e assim permaneceu, não significa que deixou de ter importância a religião, porque é uma forma de crer, mas a moral, que é cada vez menos na nossa sociedade, deverá ser ministrada cada vez com maior rigor e obrigatoriedade. Não será esta Cidadania que o Ministério vem agora apregoar, que resolverá a questão dos desmandos sociais e humanos que estamos a viver presentemente. Que moralidade tem o filho que mata o pai? Que moralidade tem o marido que castiga e maltrata a esposa? Que moralidade tem o namorado que assassina a namorada por despeito ou ciúme? Que moralidade terá o governante que rouba o erário público ou que usa a corrupção para servir os seus interesses? São estes os cidadãos que queremos para o nosso país? Não. Decididamente, não.

Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos os mesmos horizontes. É verdade. Mas vivemos todos sob um mesmo Deus, tenha Ele o nome que tiver. E a isso obriga termos todos uma elevada Moral e uma Ética irrepreensível se queremos ser verdadeiros cidadãos. E isto, meus amigos, aprende-se desde pequenos. Até a celebração da Páscoa.

Nós trasmontanos, sefarditas e marranos - Marquesa (Sara) Rodrigues (Lisboa, c. 1640 – Londres, d. 1677)

Filha de António Rodrigues Mogadouro e sua mulher Isabel Henriques, Marquesa recebeu o nome da avó paterna, tendo nascido em Lisboa, ao final década de 1640, casando, por 1660, com seu primo Diogo Rodrigues Marques.

Em 1674, depois que a inquisição prendeu seu pai e dois irmãos, Marquesa e Diogo fugiram para Londres, com os 4 filhos que então tinham, o mais velho de 14 anos. Naquele país seria bem acolhida e com acesso à própria Corte, facilitado pelo facto de o seu pai ter sido um dos empresários portugueses que contribuíram para o extraordinário dote de casamento de Catarina de Bragança com o rei Carlos II de Inglaterra, no montante de 2 milhões de cruzados (800 contos de réis!).(1)

Mais facilitado ainda, depois que Isabel, a filha mais velha de Marquesa, casou com o Dr. Fernando Mendes da Costa,(2) médico da Corte. Aliás, a própria rainha foi madrinha da filha mais velha de Isabel e Fernando, batizada por isso com o nome de Catarina (1678-1756). Catarina casou com seu primo Antony Costa (1667-1747) e estes foram os pais de Rachel, que, em 1714, casou com António Lopes Suasso, um dos homens mais ricos do seu tempo. Outra filha de Fernando e Catarina chamou-se Leonor, a qual casou com José da Costa e estes foram os pais de Kitty, que veio a desposar José da Costa Vila Real.

Voltemos a Marquesa Rodrigues que, chegada a Londres, abraçou abertamente o judaísmo, tomando o nome de Sara Henriques. Por 1675, ficou viúva e em fevereiro de 1677, estando de perfeita saúde e inteiro juízo, escreveu pela própria mão o seu testamento. É um documento de muito interesse pelas relações que deixa transparecer. Por isso o publicamos na íntegra, agradecendo ao arquiteto canadiano Sir Georges Richard Henriques, que no-lo facultou, com autorização de publicação. Vejam:

— À minha filha Raquel(3) deixo 200 libras esterlinas, para benefício de minha alma, e que fique bem esclarecido que devem ser repartidas durante 7 ou 11 meses, não só pelos pobres deste país, mas também onde houver necessitados. E com o mesmo objetivo deixo 15 libras, para ser colocada na sinagoga uma candeia acesa.

Deixo 10 libras a Daniel Rodrigues, para comprar roupas aos filhos.

Para Silva Aarão deixo 20 mil réis que lhe devem ser entregues e a minha filha Rachel os enviará para Portugal.

O resto que se encontrar em minha casa, como sejam, joias, dinheiro ou mercadorias deve ser dividido igualmente entre os meus filhos, exceto as coisas que nomeio e que não devem ser incluídas na dita divisão.

À minha filha Rachel deixo a nossa bacia grande de prata, um jarro com flores e duas salvas, também com flores e a nossa muito bonita carpete da Índia.

Também deixo à minha filha Ester(4) o nosso cesto grande de flores.

Deixo à minha filha Ribka o nosso bonito cesto e uma colcha trabalhada.

Ao meu filho Isaac Marques,(5) se ele tiver bom comportamento, deixo a corrente de ouro e um cesto de flores. Se ele não melhorar o seu comportamento, não será contemplado com as divisões acima mencionadas e também não receberá nada desta casa.

Ao meu filho Jacob(6) deixo a nossa grande medalha de ouro com duas correntes.

Ao meu filho Moisés Marques deixo os nossos cordões de ouro e um cordão de diamantes.

O resto das joias, pérolas e prata devem ser igualmente repartidas pelas minhas filhas, mas os bens de minha filha Rachel não devem ser incluídos nesta divisão.

Ao meu cunhado António Rodrigues Marques deixo um anel com 3 diamantes, que foi encomendado em Middlemost Benny a Isaac Álvares, e um candeeiro de 9 lâmpadas.

À minha filha Ester deixo a melhor colcha que se encontrar em minha casa.

Para a minha tia Sara Henriques(7) não encontro nada suficientemente bom para lhe deixar. E como guardiã dos meus filhos, ela deve gerir o meu testamento; e peço que seja mais amorosa com os seus netos do que tem sido até ao presente, e que haja com as pobres crianças mais como uma avó do que como uma madrasta.

À minha irmã Branca(8) deixo um anel de diamantes e uma rosa feita em Portugal e uma carpete da Índia de veludo e prata.

Para a minha irmã Beatriz deixo outro anel de diamantes e uma carpete da Índia.

Mais declaro que, se alguma tiver falecido, devem ser entregues a meus filhos e algumas esmolas devem ser dadas pelas suas almas.

Para a minha irmã Violante Henriques,(9) um anel de diamantes.

Para a minha sobrinha M. Elizabeth Asser, 4 libras, saias, blusas e coifas.

Para a minha criada Tallid deixo 5 libras.

As minhas roupas devem ser divididas pelas minhas filhas.

Sobre os negócios é meu desejo que os mesmos devem prosseguir, mas que Ralph de Lis não deve fazer outra coisa senão regularizar as contas e comprar algumas mercadorias, mas não sem aprovação de meu primo Joseph Henriques, declarando que assim se proceda até que o meu primo António Rodrigues Marques tome conta da administração desta casa.

Para a filha da mencionada Tallis, Sara, deixo uma colcha da Índia e um cesto de flores.

 

Notas:

1 - SERRÃO, Joel – Dicionário de História de Portugal, vol. 1, Livraria Figueirinhas, Porto.

2 - Fernando Mendes da Costa era originário de Trancoso. Nasceu por 1647 e foi levado ainda jovem para França, onde estudou medicina na universidade de Montpelier. Para além de médico da rainha de Inglaterra, o Dr. Fernando Mendes ficou ligado à descoberta de um famoso remédio chamado “Água da Inglaterra”. Faleceu em 26.11.1724 “sem mais doença que a sua muita idade, havia semanas que tinha vindo à minha casa, tão debilitado que entendi não podia durar muito tempo, testou de cento e dez mil libras esterlinas que importa em moeda do nosso reino em um milhão e cem mil cruzados”, conforme escrevia para Lisboa o embaixador António Galvão Castelo Branco.

3 - É o nome judeu adotado por Isabel, nascida em Lisboa por 1660.

4 - Ester é o nome judeu adotado por Ana, nascida em Lisboa por 1671.

5 - Trata-se de Francisco, nascido em Lisboa, por 1662.

6 - Nasceu em Lisboa, por 1672 e foi batizado com o nome de José.

7 - Sara Henriques é o nome judeu de Maria Lopes, sogra de Marquesa, nascida em Miranda do Douro e que ali casou com Francisco Rodrigues. Com dois filhos pequenos (António e Diogo Marques) o casal rumou a Lisboa. Ali, falecendo Francisco Rodrigues, Maria Lopes e os filhos ficariam sob a tutela de António Rodrigues Mogadouro. Não sabemos se terá ido para Londres com o filho e a nora.

8 - Não imaginava que sua irmã era falecida 6 meses antes, em 28.8.1676) nas masmorras da inquisição, sendo relaxada em estátua no auto-da-fé de 16.8.1684.

9 - Morreu de parto na cadeia da inquisição em 18.2.1674, um mês depois que ali deu entrada. Foi relaxada no mesmo auto.

A Revolução Possível

Em Novembro do ano passado a Editora Gradiva apresentou ao público o estudo histórico A Revolução Possível da autoria do investigador e professor catedrático Fernando Pereira Marques, meu velho (os anos vão passando sobre os dois) e querido amigo. Estamos prestes a lembrar a Revolução de Abril, por isso mesmo entendi sublinhar a profunda importância do ocorrido no dia 25 de Abril de 1974, trazendo em meu socorro o livro do Fernando porque nele se espelham os disparates, os desastres, os dislates de fardados de civis cometidos no âmbito militar cometidos desde 1910 a 1926, os quais com o péssimo concurso da GNR foram o ovo (recordo o génio de Ingmar Bergman) do salazarismo e do caetanismo durante quarenta e oito anos até ao alvorecer do Dia cuja palavra de ordem foram três DDD, Democratizar, Descolonizar e Desenvolver.

O autor para lá da bagagem intelectual que possui tem a dupla experiência de combatente pela liberdade e a de preso político durante largo tempo após ser alvo de tortura e isolamento. Militante amigo de pensar e inimigo de todas as espécies de totalitarismo, por isso pegou em armas sofrendo as consequências repressivas em vigor.

Durante a vigência da I República o emaranhado partidário possibilitou toda a espécie de conluios, negociatas e escândalos económicos alavancados pela finança como bem o demonstra Pereira Marques, tudo somado a visões egoístas da sociedade jugularam o regime democrático contribuindo decisivamente para o estrangulamento da liberdade de expressão de pensamento, o refinamento da acção da polícia política, acrescida da repressão continuada e ilimitada mercê da temível lei da segurança saída da pena de um governante bragançano. Se alguém tiver dúvidas consulte os documentos legislativos da época.

Ora, em 2019, nem de perto, nem de longe é passível a comparação entre tão tenebroso passado e o presente, porém parece-me oportuno reflectirmos sobre as moléstias de agora capazes fazerem perigar a saudável Democracia pluralista e plena. Em ano de eleições europeias não ouço, nem vejo motivações capazes de suscitarem a atenção dos eleitores relativamente ao voraz bicho-carpinteiro a corroer instituições da Comunidade, não ouço os candidatos a debaterem os enormes problemas derivados das migrações, da insegurança, dos conflitos regionais e a preocupante epidemia do nacionalismo mais os movimentos estilo jalecos amarelos. Dá que pensar!

Pensemos na ameaça de fragmentação da Espanha, pensemos no aumento da pulsão securitária derivada da ameaça terrorista, pensemos na pulverização do outro lado do Mediterrâneo (Argélia, Líbia, Síria, Tunísia), pensemos nas agressões diárias contra a cultura Ocidental. Muito que pensar e não estou para isso dirá o leitor, então faça o favor de pensar na terrível crise demográfica (os meninos pelo feitio não ficam caros), na proliferação da iliteracia literária e consequente aumento da linguagem de solavancos muito digitalizada nos telemóveis, no envelhecimento da população e o seu consequente sofrimento e angústias derivadas da doença, isolamento e segurança. Verificará o leitor quão distraídos andam os candidatos caso pense no acima expendido.

A Revolução Possível levou-me a tentar perceber o desgosto de homens do calibre de António Sérgio, Jaime Cortesão e José Rodrigues Miguéis entre outros, eles hoje tão esquecidos também sofreram vexames e o exílio pois não se limitavam a serem do «reviralho» agiam, agiram sempre apesar de avançados na idade porque a sua consciência cívica não era de verbo-de-encher.

Estamos a dois dias da rememoração da feliz efeméride, vamos ter as festas do costume, os discursos do costume, o gastar o dia dentro do usual costume. Discutir e analisar o passado democrático e a Ditadura, explicar o pensamento dos combatentes contra a ortodoxia de um qualquer ismo dá imensa fadiga, desgaste mental e no tocante à militância política os exemplos recentes e mais tardios são maus demais para ser verdade. De qualquer modo a democracia apesar dos seus defeitos é o melhor dos sistemas de governação.

Hossanas e louvores ao 25 de Abril. Sempre!