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Festa da História atraiu vários milhares de visitantes a Bragança

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Qua, 17/08/2016 - 12:36


No final da Festa da História de Bragança, a organização fez um balanço positivo da edição deste ano, fazendo as contas a que mais de 20 mil pessoas terão passado pelo castelo e zona histórica, entre 12 e 15 de Agosto, superando as expectativas iniciais.

Belisário & Marvel

Se fosse realizado um inquérito tendo como alvo a Comunidade Científica e Cultural de Bragança, perguntando-lhe quem foram Belisário e Marvel, seguramente, as respostas seriam: o primeiro ter sido famoso general de Bizâncio, o segundo, cómica figura de uma banda desenhada americana.

Se o mesmo inquérito fosse levado a cabo nos Lares de idosos existentes em Bragança, as respostas seriam completamente diferentes, reinadias até, impregnadas de cordata malícia. Adiante explicarei a razão.

Porque integrado numa equipa multidisciplinar estou a trabalhar num projecto visando a mundialização de um concelho, coube-me a tarefa de potenciar os activos culturais e sociais existentes de modo a conseguir-se o objectivo pretendido.

Nesse propósito, todos os envolvidos no projecto dedicamos atenção à população envelhecida, mesmo a doente, porque é detentora de perenes e formidáveis saberes, especialmente de natureza empírica, os quais não podem ser esquecidos dada a importância da nossa herança cultural, segundo porque as pessoas idosas são muito importantes no acrescentar valor de experiência consolidada aos especialistas académicos e científicos.

E, Belisário e Marvel (pronunciávamos Marbel) surgiram-me na memória (o papel da memória é crucial no âmbito cultural) na justa medida de terem sido figurões da paisagem social bragançana de recorte jocoso, mas a par de outros significantes do modelo e moco como nos idos de cinquenta e sessenta do século transacto os marginalizados às vezes de motu próprio eram tratados. No referido projecto pretende-se recuperar todos quantos vivem situações de sofrimento, miséria, marginalização e doença, cujos custos são enormes debaixo de todos os prismas.

Eu conheci muito mal os ditos figurões, no entanto, o primeiro, revejo-o de grenha suja protegida por boina esburacada, tez arroxeada, nariz em forma de torneira de pipo, voz borras de vinho, curvado, a viver de biscates e da carinhosa caridade sem alarde. Tudo quanto recebia gastava-o alegremente em aguardente e vinho, não apreciava ser censurado, às vezes deixa a ira à solta e regougava palavras frementes contra esta, contra aquele. Ele sabia coisas. Se instado a explicar o dito sussurrava melopeias e desandava.

O Marvel (Marbel) executava tarefas de carrejão a meias com a mula do Sr. Augusto (Má-Cara). A mula puxava a carroça, ele colocava as pernas de alicate num varal e toca a levar e a trazer pacotes da estação de caminho-de-ferro distribuindo-os a seguir pelos clientes regulares e irregulares. O Marvel também usava boia (muito comum na altura mesmo no círculo dos donos de posses), o rosto permanentemente enrugado conferia-lhe peculiar semblante, se o picavam da sua boca saíam rajadas de palavras em consonância, vernáculas de vermelho vivo, muito mais moderadas quando o espevitador do azedume era o Senhor Queiroz, afamado especialista no modo de moer o ânimo mesmo dos mansos e cordatos. Nem as repreensões da Dona Mariazinha moderavam a verve do saudoso comerciante, fervoroso portista, dono de invulgar sentido de humor em todas as circunstâncias.

O Senhor Belisário e o Senhor Marvel nunca tiveram direito a senhoria, era o que fazia falta, diria o menos graduado dos funcionários públicos, não eram lúmpen no sentido marxista do termo, não passavam de membros de uma sociedade onde o preconizado nas obras de misericórdia, só raros cumpriam o preceituado.

No fundo, no fundo, persistia a hipocrisia envernizada, de fora da embirração lustrosa ficavam as Senhoras esmoleres, os Senhores esmoleres (o Sr. Queiroz gostava de azucrinar, também gostava de ajudar) suavizavam o quotidiano de desprovidos de meios, de família consistente, de tolheitos e doentes. Lembro a mulher com o menino ao peito a entrar ali e acolá, salmodiava palavras, levantava o lenço postado sobre a cabeça e exibia pústula disforme. Recolhia a esmola, alisava o lenço e prosseguia a jornada.

As pessoas são o nosso melhor património responderam dezenas de homens e mulheres nos questionários de recolha de informação na preparação do aludido trabalho, tal resposta constituiu forte incentivo a procurarmos requalificar e recuperar os menos preparados, os considerados pesos mortos, fonte de problemas e pesada despesa.

Não tenho dados precisos sobre o Sr. Belisário e o Sr. Marvel, pretendo prestar-lhe melhor atenção. Espero o contributo de quem o quiser dar.

OS AMIGOS

A amizade é um sentimento nobre que deve ser cultivada com empenho, desprendimento e lealdade. Cultiva-se, alimentando-a ao logo da vida e estacando-a, quando velha, como recomenda Miguel Torga. Os gestos de solidariedade e lealdade para com os amigos são sempre apreciados. É igualmente reconfortante estar rodeado de verdadeiros amigos sobretudo quando nos são exigidos esforços e trabalhos acrescidos em tarefas coletivas como acontece com os vários protagonistas políticos que ascendem ao poder.

Conforto que, contudo, não devia ser suficiente, quando outros requisitos são exigidos e, por isso mesmo, acaba por acarretar, por vezes, um preço elevado. Foi assim com Pedro Passos Coelho quando se sentiu obrigado a prestar o devido tributo à amizade que de há muito o ligava a Miguel Relvas. Igualmente António Costa, de forma mais célere e mais intensa (em menos de um ano são já dois os casos de amargos de boca) se viu envolvido em polémica para justificar o preito que a amizade de dois colaboradores lhe colocou a “pagamento”. No início de Abril viu-se forçado a celebrar contrato de prestação de serviços com Diogo Lacerda Machado para que este continuasse a poder, legal e formalmente, representá-lo em várias reuniões onde já ia a mando e por conta do Primeiro-Ministro. Estava a iniciar as férias e teve de se fazer valer do lugar que ocupa para segurar outro dos amigos chegados, Fernando Rocha Andrade, depois da forma descuidada e aligeirada como aceitou ser patrocinado pela Galp para ir ver jogar a seleção portuguesa de futebol. Amizade que será, seguramente, apreciada não só pelo próprio mas igualmente pelos seus colegas Jão Vasconcelos e Jorge Oliveira a quem idêntica e imprudente conduta poderia tê-los excluído da equipa governamental, a avaliar pelo ocorrido com João Soares.

Deve alguém ser beneficiado, num lugar de serviço público, só por ser amigo de quem detem a liderança do poder? Não. Mas também não deve ser prejudicado. Desde que seja igualmente competente, parece-me óbvia a opção por um amigo de confiança. Até porque a responsabiidade final, sobretudo política, nestes casos, passa quase integralmente para o chefe do Governo já que uma eventual queda arrastará consigo todo o elenco governativo. Os amigos caem na altura em que quem os promoveu abandone as funções que exerce.

Caso diferente seria se a única “qualidade” do escolhido fosse exatamente a amizade que o liga ao chefe. Se isso ocorrer numa autarquia então a questão é séria porque uma eventual renúncia ou impedimento do cabeça de lista não só não arrasta igual sorte para quem lhe segue mas, pelo contrário, coloca no topo da hierarquia quem estiver em segundo lugar na lista ganhadora.

Prático

As férias permitem-nos momentaneamente fazer algumas arrumações que vinham sendo adiadas ao longo dos meses, por vezes dos anos. E reconhecemos todos que os objectos têm uma relação com o tempo que nos derrota completamente. 

Compactam-no, reduzem-no, como se estivessem apressados em desaparecer. Fizemos todos, por diversas vezes, a experiência aquando duma avaria, que um produto comprado há pouco tempo (três ou quatro anos) estava bom era para deitar ao lixo. Ouvimos todos a fórmula recorrente segundo a qual isso “ ficar-lhe-á mais barato comprar um aparelho novo” em vez de substituir uma peça defeituosa, da qual, além do mais, não estamos certos de que ainda se fabrique nas fábricas da Europa Central ou da Coreia de donde eram importadas no longínquo passado de 2008 ou 2009… “ Eu, diz o empregado, no seu lugar, sei bem o que faria.”

Este desgosto comporta um nome correspondendo à vontade presumida dos fabricantes: a “obsolescência programada”. É no momento do fabrico, com efeito, que se pode melhor organizar a deficiência dos objectos, prever o que, neles, se tornará o “elo fraco” que justificará a sua substituição. Um ferro de passar cujo fio, tendo-se desfiado, se torna perigoso? “ Temos muita pena- nem olha para si - não pode ser reparado, porque esse tipo de fios já nem existe.”

Um frigorífico que, de repente, faz um barulho de malhadeira? “ Ganha mais em substitui-lo por um modelo recente, particularmente silencioso. Além disso o motor do seu já nem se encontra no mercado!” Um aspirador que entregou a alma desde a mais tenra idade (três anos)? “ Lamentamos mas a peça já não se encontra em lado nenhum. Posso mostrar-lhe modelos bem mais recentes.”

 Poder-se-iam multiplicar os exemplos destas desventuras exasperantes que vivem os consumidores, em todos os domínios, dos electrodomésticos aos automóveis. Até aos telemóveis - quantos tem espalhados pelas gavetas cada casa?- os “iFones”, a Apple não os repara quando estes já têm dois ou três anos!

Esbanjamento, lixeiras de equipamentos praticamente novos e não tendo ainda atingido o que, num ser humano, se chamaria a idade da razão.

Nostalgia, dirão alguns, dos tempos em que certos amadores podiam fazer funcionar um “404” ou um “Datsun 1200” durante dezenas de anos com a ajuda dum amigo mecânico ou da oficina mais próxima. Do tempo em que qualquer motor ou máquina podia aguentar um quarto de século. Furor de sonhar à quantidade de minerais, de terras raras, de vidro, de petróleo, de trabalho que foi necessário consagrar para produzir todas estas obsolescências programadas. Raiva perante a má-fé dos responsáveis deste desperdício que, com grande lata de “bons comunicadores”, explicam que não, nem pensar, que tudo na sua loja é feito para durar. Que voltem os tempos das reparações e dos reparadores artistas e geniais.

Sonhos das noites de verão

Qua, 17/08/2016 - 11:16


As noites ainda vão cálidas, neste verão, que não deixou créditos por mãos alheias no que respeita a calor e a fogo, tornando o país num braseiro, com direito a observação a partir do espaço, onde se multiplicam janelas sobre nós próprios e sobre o que vamos fazendo co

Azibo preparado para os derradeiros jogos do nacional

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Qua, 10/08/2016 - 09:10


Depois da passagem da Volta a Portugal em Bicicleta, no passado dia 30 de Julho, Macedo de Cavaleiros volta a ser o centro das atenções desportivas.
A cidade macedense recebe, a partir de quinta-feira até domingo, o Campeonato Nacional de Voleibol de Praia.

Motards invadem Bragança a partir de sexta-feira

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Qua, 10/08/2016 - 09:09


A festa motard começa na sexta-feira e termina no domingo e deverá reunir entre participantes e visitantes cerca de duas mil pessoas. O passeio nocturno agendado para sábado, às 22h00, continua a ser o ponto alto do programa do evento.

A pré-época

Longe vão os tempos, ou deveriam ir, em que as pré-épocas eram marcadas pela prática de uma outra qualquer modalidade que não o futsal.
Os atletas de futsal eram preparados para provas de corta-mato, fundo ou meio fundo, etc, tudo menos para a prática da modalidade em que estavam a inseridos, isto porque se entendia que a época tinha três fases bem delimitadas e com preparações completamente diferentes: pré-competição, momento competitivo e pós-competição.
No presente é aceite, globalmente, que desde o primeiro dia se trabalha o modelo de jogo, tendo em conta fatores individuais dos atletas, fatores inerentes à competição e condicionantes de contexto, etc.
Assim, que deve ser trabalhado numa pré-época?
Uma resposta nada simples… Mas o ponto de partida é saber claramente o que queremos (modelo de jogo, objetivos a atingir…), que recursos temos (caracterização qualitativa e quantitativa…) e o contexto de trabalho (volume de treinos, contexto competitivo, condições de trabalho…).
Dominando estas condicionantes, devemos iniciar o primeiro dia a trabalhar o modelo de jogo e só deixar de o trabalhar no último dia da época …
Claro que nos primeiros treinos, devemos ter preocupação em ter exercícios que não impliquem paragens, pois o atleta deve trabalhar, fundamentalmente, resistência, enquanto trabalha o modelo de jogo. Cerca de uma semana depois, os exercícios tem que potenciar a velocidade e mais tarde a força, permitindo que o trabalho de potência ainda chegue em momento anterior ao início das competições (cuidado, em momento anterior, não é na semana que inicia a competição…).
Temos que preparar os atletas para competir numa determinada modalidade, trabalhando aspetos úteis para essa modalidade.
Nunca descurar os aspectos psicológicos, fundamentais para que uma época corra muito bem: tipos de mensagens a dar aos atletas em cada momento, preocupações com o seu bem-estar, dar-lhes a perceber objetivamente como estão a evoluir e o que pretendemos que potenciem mais, o resultado do seu trabalho (como iniciaram e como estão…).
Bom trabalho a todos os treinadores que agora começam a sua jornada.
Contributos para ajudar a reflectir ....

 

 

 

Escrito por Rui Costa - Psicólogo e técnico de futsal