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TIRO-LHE O MEU CHAPÉU

Não conheço pessoalmente o Presidente da União de Freguesias de Felgar e Souto da Velha, Vítor Manuel Amaro Vieira, mas tiro-lhe o meu chapéu. A questão da propriedade e da legitimidade de exploração da água naquelas duas freguesias de Torre de Moncorvo é antiga e complicada. A sua resolução, podendo ser simples, não é pacífica exigindo coragem, determinação e competência, não à Junta e ao seu Executivo mas à Câmara Municipal. Os dirigentes políticos são eleitos precisamente para decidirem adequadamente em todas as circunstâncias nomeadamente nas mais difíceis porque nas outras é fácil dirigir! Numa reportagem recente, o autarca foi interpelado por uma jornalista, de forma demasiado insistente e acusadora, para o meu gosto, mas legítima na medida em que pretendia confrontar os decisores locais com notícias vindas a público sobre situações graves e do maior interesse para a população servida pela rede de distribuição de água ao domicílio. Vítor Vieira podia ter-se recusado a falar com a repórter ou informá-la que só conversaria com ela se desligasse o gravador de vídeo. Porém, entendeu, e bem, que sendo essa uma prerrogativa sua, não a deveria invocar porque em causa não estava só uma questão pessoal mas um assunto de interesse geral cujo esclarecimento total é uma obrigação de quem dirige os destinos comuns para com todos os que são afetados pela sua atuação enquanto seu representante eleito. Podia ter empurrado um outro membro da Junta, escondendo-se atrás dele não deixando de vir depois acusar quem pretende esmiuçar “demasiado” o assunto de estar ao serviço de forças ocultas para os denegrir a ambos, solidarizando-se com o “atingido”. Podia ter-se furtado ao enfrentamento alegando serem bem conhecidas as forças que estavam a financiar a “caluniosa” investigação e, inclusive, nem sequer se sentir na obrigação de nomear tais agentes por, precisamen- te, serem identificáveis por todos. Podia ter-se acobarda- do e a cada pergunta da repórter responder com banalidades, sofismas e lugares mais do que comuns, passíveis de terem, posteriormente, as inter- pretações que mais conviessem e vir, depois, acusar a jornalista de ter sido paga para fazer aquela reportagem (não é isso que acontece, normalmente? Não é normal os trabalhadores, sejam de que área forem, serem pagos para executarem a sua função?) alegando ser, só por isso, ilegítima e afrontosa. Podia até aproveitar o percalço para elaborar e difundir um manifesto eleitoral com objetivo de promover a sua candida- tura a um outro qualquer lugar. Mas, não só Vítor Vieira não é, que se saiba, candi- dato a mais nada, não está desesperado em deixar o lugar para o qual ganhou a confiança dos seus conterrâneos, mas também não acusa de cobardia, quem dá a cara, escondendo-se ele, nem foge a assumir a responsabilidade pelos seus atos nem impede com demagógicas declarações o seu necessário e justificado escrutínio. Não concordo, obviamente, com a inadequada e deficiente solução encontrada e colocada em prática pela Junta, com o beneplácito, inadequado e inadmissível da Câmara mas isso não me impede de reconhecer a verticalidade, coragem, frontalidade e transparência com que Vítor Manuel Amara Vieira enfrentou o assun- to, assumiu a sua atuação e prestou todos os escla- recimentos que lhe fo- ram pedidos sobre tudo quanto fizera e omitira. Por isso, por essa atitude, repito, tiro-lhe o meu cha- péu!

“O nosso fim é a vossa fome.”

“O nosso fim é a vossa fome” foi o slogan mais ba- dalado nas recentes mani- festações de agricultores, quer nos locais de protesto, quer nas redes sociais. Slogan que também li na versão “o nosso fim será a vossa fome” que me pareceu mais ajustada porquanto elimina, à partida, eventuais equívocos de significância entre fim, finalidade, propósito, com os inconvenientes que daí adviriam, ainda que seja por demais óbvio que propósito dos agricultores não será, em nenhuma circunstância, matar os consu- midores à fome. Em qualquer caso assim é, ou seria: se os agricultores hipoteticamente deixarem de produzir o mais certo será os consumidores não terem que comer. Ainda que se os agricultores continuarem a produzir com abundância, mas os produtos agrícolas essenciais forem vendidos a preços proibitivos tudo vai dar ao mesmo: miséria para os produtores originais e fome para os consumidores finais. Justíssimo será, portanto, que os agricultores possam trabalhar e viver com dignidade, sentindo o seu esforço justamente reconhecido e recompensado, e não serem tratados como verdadeiros párias da sociedade, como tem acontecido em muito casos, enquanto as empresas que processam e comercializam os produtos agrícolas lhes levam couro e cabelo. Lamentavelmente, porém, por muito que isto custe, este é mais um dos muitos domínios em que o governo de António Costa, que surrealisticamente se reclama de socialista, se estatelou e fracassou. Ainda que, de momento, outras matérias haja eventualmente mais perigosas e preocupantes, como será o caso da revolta das forças de segurança, porquanto elas são um esteio importante da paz social, da segurança pública e da própria democracia, que estão seriamente ameaçadas. Fracasso que no caso agrícola vertente é reconhecido, publicamente, por personalidades diversas, com destaque para Eurico Brilhante Dias, o influente ex-líder parlamentar do PS e cabeça de lista pelo distrito de Leiria às eleições do próximo mês, que criticou directamente a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, a quem acusou de ter cometido um “erro técnico” ao sancionar os cortes no setor, que levaram aos protestos registados por todo o país. É a velha astúcia de inventar bodes expiatórios para salvar a face da divindade. Fracasso que é igualmente assumido, formalmente, pelo novo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, ainda que de forma indirecta, quando, ao prometer eliminar todas as portagens nas antigas autoestradas sem custos para o utilizador, no interior do país e no Algarve diz, literalmente: “Nós fizemos uma maldade a grande parte do território. Não tínhamos esse direito. Temos que repor a justiça e o respeito por quem vive e trabalha no interior do país”. Ora, é sabido que os agricultores vivem e trabalham maioritariamente no interior, com todos os custos que isso acarreta. Certo é que os agricultores portugueses, à semelhança dos seus congéneres do centro da Europa, têm plena ra- zão quando protestam con- tra políticas que, como os próprios argumentam, não os protege da concorrência externa desleal, não lhes as- segura custos de produção agrícola compatíveis com receitas de venda justas e motivantes e esmaga toda a sua actividade com burocra- cias excessivas. Acresce que os agricultores algarvios em especial, para lá de tudo que atrás foi citado, vivem, presentemente, o drama da escassez de recursos hídricos que, entre outros prejuízos, ameaça os laranjais de seca. Drama que não se deverá apenas a medidas políticas pontuais, mas a erros e omissões estratégicas do governo central, para lá incapacidade sistémica e do desleixo tradicional do poder local. Igual drama poderá vir a afectar a agricultura transmontana com igual gravidade, quando menos se espera, com os olivais e outras culturas a serem mortificadas pela deficiente gestão dos recursos hídricos, pelo que urge tomar, desde já, as medidas adequadas que tardam, sendo que autarcas e deputados têm aqui um papel importantíssimo. Havemos de concluir, portanto, que o slogan “O nosso fim será a vossa fome” tem pleno sentido e razão de ser quando utilizado pelos agricultores. “O nosso fim é a vossa fome” melhor serve como legenda do governo que durante todo o seu dilatado exercício foi alegremente condenando os agricultores e milhares de outros cidadãos, à fome, à sede, à emi- gração e à doença. Esperemos que o fim deste nefasto exercício governativo abra portas à salvação da democracia e ao tão ansiado progresso nacional.

Pedra que caiu da fachada da Igreja de Santa Maria há 10 anos continua por colocar e paróquia teme desgraça

Ter, 06/02/2024 - 11:09


Há cerca de uma década, uma pedra da fachada da igreja de Santa Maria, situada na cidadela do Castelo de Bragança, caiu e aquilo que se podia ter transformado numa tragédia, acabou por não passar de um susto. Uma pedra, com algumas centenas de quilos, caiu devido à “erosão do tempo”.

Um coração que não bate. Só apanha

Nestes dias de chuva, a minha Mãe andava empenhada numa batalha perdida à partida. Lavou o chão da varanda e tinha esperança que este pudesse secar em tempo útil. A água continuava a vir do céu puxada pelo vento e a humidade era palpável no ar. Claro que no azulejo também. Uma guerra entre duas Mães (a minha Mãe e a Mãe Natureza) que tinha já um ganhador desde o início. E, claro está, o chão não secou. A minha Mãe continuou a reclamar, apesar de cada vez menos, à medida que se ia resignando às condições meteorológicas. Contudo, mantinha alguma da esperança inicial, creio. A esperança é uma coisa, ao fim ao cabo, estúpida. Porque nos empresta uma certeza irrealista de que algo pode mudar e conspirar a nosso favor. Por vezes, temos só que nos resignar aos desígnios que as circunstâncias nos oferecem. Nas lides domésticas e no resto da nossa existência. É a esperança que nos coloca perante as piores situações que podemos imaginar. E acho que nem funciona, se não tivermos sorte. A esperança é o que nos faz ir. A sorte é o que nos faz vingar. O tal vento que muda e alinha os astros para nós, para tudo correr de feição. Raramente acontece, além de que nada disto é certo nem tão pouco de crença geral. Há quem siga sem expec- tativas, há quem nem acredite na sorte. Pior ainda: haverá uma franja populacional que é da equipa da frase feita “a sorte constrói-se”. Isto será mentira, na medida em que só podemos controlar aquilo que a nós nos diz respeito e todas as histórias têm, pelo menos, dois lados. E, quase sempre, controlamos muito mal. Às vezes pelas tais circunstâncias. Outras tantas só por falta de capacidade de gestão. Associado a tudo isto há sempre um sentimento de frustração, de tristeza e de angústia. A vida seria mais simples se fosse como nós queremos? Seria. Sem mais comentários. Não acho nada que os obstáculos nos tornem mais fortes ou resilientes. Tornam-nos mais amargos, inflexíveis e cépticos. Dizemos que acreditamos que coisas boas vão chegar só porque é preciso dizer alguma coisa. Para mentirmos a nós próprios e aos outros. As coisas boas que poderão chegar vão trazer novas complicações. O que vale é que a experiência vai acumulando e com isso aumenta também a leitura prévia que somos capazes de fazer para responder à questão: “Como é que será que este novo evento me pode magoar?”. Afinal, e em jeito de resumo, há corações que não são feitos para bater. Estão destinados só a apanhar.