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Associação de Mirandela lança projecto de literacia em saúde mental que vai percorrer o distrito

Qua, 21/07/2021 - 16:41


Com o objectivo de promover, na comunidade, o aumento de conhecimentos e competências em matérias de saúde mental, a Matiz – Associação para a Promoção da Saúde Mental, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), com sede em Mirandela, tem no terreno um projecto

Bragança : A Nação Judaica em Movimento - 15 António de Santiago, tratante e rendeiro

No panorama económico de Bragança no século de 1700 a sericicultura apresenta-se como uma verdadeira indústria de ponta, extremamente rentável. Na montagem e gestão daquela indústria dominava a “gente da nação” que amealhava prata e ouro, em quantidades nunca vistas. Com ou sem ligação à seda, assistiu-se também ao florescer de uma outra indústria, também de ponta e que até hoje não foi tratada pelos historiadores locais – a ourivesaria. Na verdade é impressionante a quantidade de “ourives do ouro e da prata” que então apareceram no seio da “nação” brigantina e se meteram pelos caminhos da diáspora sefardita. Apenas a título de exemplo, diremos que só no processo de Fernando Fonseca Chaves, ao fazer a sua genealogia, ele menciona uns 16 parentes “ourives do ouro ou da prata”. Atente-se, no entanto, que a profissão, como qualquer outra, aliás, não impunha exclusividade e todos eles se dedicavam ao que aparecia e que dava dinheiro, para além da contínua procura de ascensão social. Com alguma frequência vemos curtidores e sirgueiros ascender a fabricantes e mercadores de seda e vemos multiplicar os ourives. E os ourives, tal como os médicos e advogados também se faziam mercadores, rendeiros e contratadores. Tanto quanto resulta da leitura dos processos da inquisição, ao longo de gerações, no seio da “nação de Bragança”, duas famílias se impõem no trato do ouro e da prata: a dos Albuquerque e a dos Pimentel, unidas, aliás, por vários casamentos. E essa era a linha familiar do mestre ourives Álvaro Vaz Castro, filho de Ana Pimentel, casado que foi com Josefa Pimentel, filha de Feliciano Albuquerque, a qual contava com 4 tios e vários primos ourives / prateiros. O casal teve 2 filhas e um filho, tendo a mais velha, Francisca Xaviela, nascido por 1679. Andaria nos 14 anos quando se contratou o seu casamento, contrato que o pai não pôde assinar, pois era já falecido. Vamos então para Lisboa, acompanhando Xaviela ao casamento, naquele ano de 1693. Na mesma altura, aliás, terão rumado também para a capital todos os membros do seu agregado familiar que era constituído pela avó, a mãe e os irmãos. É que, em Lisboa, eles tinham familiares que estavam muito bem de vida, como era o caso do contratador Dionísio Pimentel e do ourives da prata Francisco Morais Pereira, dois dos irmãos de Josefa. (1) Mas, vamos apresentar o noivo de Xaviela. Chamava-se António Santiago e era seu primo em 2º grau, pela parte materna. Nascido em Bragança por 1671, era filho de Manuel Santiago da Costa e Mécia de Morais, (2) dois dos signatários da petição de 1661, que se apresentaram em Bragança, perante o inquisidor Manuel Pimentel de Sousa e foram chamados a Coimbra em 1670 para serem sentenciados. Certamente que a lembrança das constantes vagas de perseguição inquisitorial inspirava a fuga de Bragança aos filhos da gente da nação. Seria o caso de António Santiago e da sua irmã Beatriz da Costa, casada com Gaspar de Faro que se mudou para Lisboa com seus 4 filhos. Todos acabariam por ser presos, tal como António e Xaviela, (3) pois que os olhos e os ouvidos da inquisição estavam por toda a parte; espiar e delatar judeus tornou-se mesmo uma obrigação moral, um dever dos cristãos. Tratante bem-sucedido, aos 32 anos, António Santiago tinha já nome feito na praça de Lisboa. Olhemos um pouco para os seus negócios e contratos. Um deles era a comenda de Arruda dos Vinhos, que ele trazia arrendada por 1 conto e 300 mil réis “livres para a Fazenda Real”. Outra comenda que ele arrendou, em parceria com 3 outros sócios, era a de Alcochete, pelo valor anual de 2 contos e 20 mil réis, livres para o Mestrado da Ordem de Santiago a quem pertencia. À cabeça da sociedade encontrava-se Manuel Mendes Nemão, familiar do santo ofício, em cujo nome se fez o arrendamento, com António Santiago como fiador. Um dos produtos cuja décima pertencia à dita comenda era o sal. António Santiago, falando da sua participação no contrato, dá-nos conta de um carregamento feito no navio de Pedro Robão, com destino a Bayonne, de França. E também nos diz que, na localidade, empregado na cobrança das rendas, traziam Manuel Gomes Peinado, que, possivelmente integrava também a “nação de Bragança” que “assistia” em Lisboa. Em um barco registado em Barcelona de França, (SIC) que dias antes zarpou de Lisboa, António Santiago tinha carregado 5 rolos de tabaco, com ordem ao capitão do barco para lho vender nos portos onde acostasse e, o dinheiro da venda o remetesse ao seu correspondente em Madrid, João Garcia de Guiné, com o qual havia combinado que lhe mandasse, em paga, um fardo de seda torcida para fazer meias, cujo preço andaria por 750 mil réis. Para o Rio de Janeiro tinha enviado mercadorias tão diversas como: bacalhau, azeite e serafinas, no valor de 1 conto e 600 mil réis, que esperava receber em açúcar e ouro. E já que falamos em ouro, repare-se na seguinte declaração por ele feita no inventário de seus bens: - Disse que algumas peças de ouro e prata que são dele confitente estão empenhadas em casa de António Nunes, sirgueiro que vende chapéus na Rua Nova, defronte do Chafariz, na quantia de 200 mil réis (…) e as ditas peças poderão valer ao todo 270 mil réis. (4) Como se vê, eram muito diversificados os negócios e contratos de António Santiago e bem dilatada a confiança nos correspondentes e parceiros comerciais. E estes eram os pressupostos do sucesso empresarial da gente da nação hebreia, o que agilizava a tomada de decisões empresariais e muito contribuía para o sucesso comercial. Falou-se atrás na compra de um “fardo de seda torcida” para fazer meias. Cumpre dizer que, naquela época, com as calças curtas que se usavam, as meias ganhavam também relevância no vestuário masculino e eram motivo de ostentação pelas classes da nobreza e da burguesia. Isso fazia o preço subir e o seu fabrico e venda uma atividade interessante para os homens da nação, que a dominavam. Já agora, refira-se que o irmão de Xaviela, Feliciano Albuquerque tinha exatamente a profissão de fabricante de meias, como, aliás, muitos outros brigantinos. No panorama económico de Bragança no século de 1700 a sericicultura apresenta-se como uma verdadeira indústria de ponta, extremamente rentável. Na montagem e gestão daquela indústria dominava a “gente da nação” que amealhava prata e ouro, em quantidades nunca vistas. Com ou sem ligação à seda, assistiu-se também ao florescer de uma outra indústria, também de ponta e que até hoje não foi tratada pelos historiadores locais – a ourivesaria. Na verdade é impressionante a quantidade de “ourives do ouro e da prata” que então apareceram no seio da “nação” brigantina e se meteram pelos caminhos da diáspora sefardita. Apenas a título de exemplo, diremos que só no processo de Fernando Fonseca Chaves, ao fazer a sua genealogia, ele menciona uns 16 parentes “ourives do ouro ou da prata”. Atente-se, no entanto, que a profissão, como qualquer outra, aliás, não impunha exclusividade e todos eles se dedicavam ao que aparecia e que dava dinheiro, para além da contínua procura de ascensão social. Com alguma frequência vemos curtidores e sirgueiros ascender a fabricantes e mercadores de seda e vemos multiplicar os ourives. E os ourives, tal como os médicos e advogados também se faziam mercadores, rendeiros e contratadores. Tanto quanto resulta da leitura dos processos da inquisição, ao longo de gerações, no seio da “nação de Bragança”, duas famílias se impõem no trato do ouro e da prata: a dos Albuquerque e a dos Pimentel, unidas, aliás, por vários casamentos. E essa era a linha familiar do mestre ourives Álvaro Vaz Castro, filho de Ana Pimentel, casado que foi com Josefa Pimentel, filha de Feliciano Albuquerque, a qual contava com 4 tios e vários primos ourives / prateiros. O casal teve 2 filhas e um filho, tendo a mais velha, Francisca Xaviela, nascido por 1679. Andaria nos 14 anos quando se contratou o seu casamento, contrato que o pai não pôde assinar, pois era já falecido. Vamos então para Lisboa, acompanhando Xaviela ao caVoltemos ao processo de António Santiago para dizer que logo que se viu preso, confessou a crença na lei de Moisés, dizendo que fora doutrinado ainda em criança, quando frequentava a escola dos Jesuítas, por seu tio materno, Francisco da Costa. Sofreu nos cárceres da inquisição durante um ano e pouco, saindo condenado em confisco de bens, cárcere e hábito a arbítrio. Pena igual teve sua mulher, Francisca Xaviela que apenas foi presa 4 dias antes do auto da fé de 12.9.1706, em que foi penitenciada, juntamente com 20 outros membros da nação de Bragança assistentes ou moradores em Lisboa, nomeadamente a sua mãe, Josefa Pimentel, a sua irmã, Luísa Maria, e o tio Francisco de Morais Pereira. (5) O irmão de Xaviela, fabricante de meias, atrás referido, seria preso anos depois, o mesmo acontecendo com o filho de Xaviela e António Santiago, batizado com o nome de Inácio Xavier de Morais e que no crisma alterou o nome para Alexandre Morais Silva.(6)

Notas: 1 - Inq. Lisboa, pº 5377, de dionísio Pimentel; pº 946, de Francisco de Morais Pereira. 2-Inq. Coimbra, pº 166, de Manuel Santiago da Costa; pº 10103, de Mécia de Morais. 3-Inq. Lisboa, pº 2093, de António Santiago; pº 4263, de Francisca Xaviela. 4-Pº 2093, p. 12. 5-Idem, pº 3036, de Josefa Pimentel; pº5780, de Luísa Maria; pº 946, de Francisco Morais Pereira. 6-Idem, pº 162.

Vampiros versus Canibais

Não haverá ninguém, certamente, que não conheça a famosíssima canção com que José Afonso estigmatizou o Estado Novo a que alguns historiadores também chamam  Segunda República e que terá sido, metamorficamente falando, uma República de Vampiros. Música de inconfundível melodia, com letra do maior impacto social e político, surpreendentemente mantem plena pertinência, mesmo agora que os portugueses se regem por um novo regime, que muitos não consideram genuinamente democrático, por diversas e importantes razões. Os vampiros da canção de José Afonso voavam em bandos pela noite calada, silenciosos e discretos para da melhor forma chuparem o sangue fresco da manada, mantendo um certo recato, por isso mesmo. Comiam tudo e não deixavam nada. No alvor da democracia, porém, metamorfosearam-se em canibais sem escrúpulos, desavergonhados e desapiedados e, associados em gangues e clãs políticos e argentários, não se limitam agora a sugar o sangue ao povo. Também lhe devoram as entranhas e lhe roem os ossos, e continuam a tratá-lo como reles manada. Canibalizam tudo à luz do dia e não pagam nada. São os mordomos de Portugal inteiro. Tomando como credíveis as iniciativas do Ministério Publico (não há razão para pensar que o não sejam) não será estultícia considerar o regime político vigente como uma República de Canibais. A analogia é triste mas cruelmente verdadeira. O Governo da República, a Administração Pública, central e local, as Empresas do Estado, os Partidos, a própria Justiça, os grandes clubes de futebol e a banca pública são, ou foram em algum momento, canibalizados por ousados machuchos que lançam a Democracia no descrédito, o Estado na desgraça e a Nação na miséria. Em Portugal, o crime corporativo, ou do colarinho branco, melhor dizendo, é sistémico. Salgado, Sócrates, Berardo, Vara e Vieira são apenas as personalidades melhor cotadas na tabela do Ministério Público Tudo atestado em processos judiciais de grande impacto político e mediático que comprometem um ex-primeiro ministro, vários ministros, presidentes de câmara, banqueiros, dirigentes desportivos e envolvem instituições poderosas como a CGD, o Novo Banco e o Sport Lisboa e Benfica, entre outras. Consta, até, que já há tribos de canibais a dançar alegremente à volta da fogueira do Plano de Recuperação e Resiliência. A seu tempo se verá no que isso vai dar. Acresce que na República dos Vampiros tudo se passava à sorrelfa sob o olhar grave e conivente do dito “Venerável Chefe de Estado”. Na moderna República dos Canibais tudo se desenrola às claras, com muita luz, cor e som e com a complacência do sempre sorridente e inimputável “Mais Alto Magistrado da Nação”. Portugal, hoje, pouco mais é que uma vaga recordação histórica que, para alguns, até nada de bom terá. Uma região mendicante da Europa rica. Um estado marginal e subserviente que, entre outros atentados aos direitos fundamentais, impunemente envia dados de cidadãos inofensivos para governos estrangeiros sinistros. Uma triste Nação que muitos continuam a pretender converter, com pés de veludo, num estado satélite de uma quimérica URSS, de que Cuba e a Venezuela são paradigmas palpitantes. Quanto aos portugueses já nem se sabe bem quem são e o que são. Talvez sejam mesmo uma manada mansa como dizem. Figurantes de uma democracia desfigurada em República de Canibais. O pior de tudo, porém, é que, aparentemente, não há como dar volta a tão dramática situação. Em Belém não se vislumbra rasgo suficiente, São Bento, é óbvio, protege os canibais mais graúdos e os partidos do poder são a sua incubadora privilegiada. O empenhamento corajoso de meia dúzia de magistrados, com destaque para o procurador da República, Rosário Teixeira, o juiz Carlos Alexandre e o inspector tributário Paulo Silva, verdadeiros heróis dos nossos dias, não parece ser força bastante. Urge que uma revolução aconteça. Na certeza de que na Europa moderna as revoluções não se fazem nas ruas, a tiro e à bomba. Operam-se nas urnas com a arma do voto na mão.

Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico (VS 15/7/2021)

Pedro, o Lobo, os Lagos do Sabor e o Coelho da Páscoa

O projeto dos Lagos do Sabor é do melhor que apareceu nas Terras Transmontanas. Tive conhecimento dele apenas em 2016 por causa de uma entrevista que o Presidente da Câmara deu à revista “Passear” e fiquei rendido à qualidade, inovação e potencial que apresentava. Surgiu-me, de imediato, uma dúvida. Tendo sido este projeto completamente desenvolvido, desenhado e esquematizado no mandato do Aires Ferreira que, durante a campanha anterior falou, legitimamente, de todas as mais valias que tinha trazido para o concelho, por que razão não o publicitou? Não tive oportunidade de lho perguntar mas deduzo que era do interesse municipal que tal anúncio se fizesse quando houvesse garantias da sua concretização. O sentido de utilidade pública remeteu-o ao silêncio, mesmo com prejuízo pessoal. Assim fossem outros. Quando foi anunciado, pela primeira vez, em 2016, como referi, supus que a sua implementação estaria para breve, pelas razões aduzidas. Não aconteceu! Tendo tido conhecimento do seu anúncio “oficial” e formal, em junho de 2018, fui, propositadamente, à Torre de Belém para participar no lançamento de tão elevado desígnio. Para meu espanto e desalento, a cerimónia não teve o impacto que merecia (espaço muito exíguo, poucos convidados, impressa ausente), apresentando um filmezinho razoável, teve como nota de realce um belo discurso do Presidente da Câmara de Moncorvo. Disso dei conta, em tom elogioso, na imprensa distrital. Agora é que era. Mas não! Não aconteceu nada de relevante, Houve umas tentativas de os levar a inscrever no Livro dos Records, com iniciativas de gosto duvidoso e nem isso resultou apesar da campanha, em má hora, levada a cabo. Tal como na conhecida história de Pedro e o Lobo, quando for feito o anúncio do verdadeiro e genuíno empreendimento, com os barcos-casa e as casas palafitas podem os verdadeiros interessados estarem já tão desconfiados e desiludidos das anteriores proclamações que não lhe liguem nenhuma. Assim se perdendo o melhor projeto turístico que, na última década, nasceu no nordeste! Para piorar andam agora a vender uma ideia, engraçada, e com algum sucesso, noutras paragens, baseada na instalação de baloiços em alguns dos pontos estratégicos. Parece que, em número e com resultados concretos para a economia local, muitíssimo inferiores aos esperados para um projeto daquela magnitude. Provavelmente satisfaz quem não consegue, consequentemente, ambicionar e ser capaz de concretizar um pouco mais. Faz-me lembrar alguém que tendo ovos de ouro que, não os conseguindo vender, enquanto tal e pelo seu real valor, no curto prazo, resolve pintá-los com motivos coloridos, como se fossem meros e simples ovos da Páscoa pois são esses que estão a ter sucesso de venda, na banca mais próxima!