PUB.

Alberto Fernandes - O Alberto Fernandes ficará justamente associado ao sucesso do Agrupamento Miguel Torga.

O Alberto Fernandes era meu amigo dileto, confidente, um terceiro irmão cuja morte encerra tragicamente o capítulo da nossa participação na direção da Miguel Torga onde a sua cadeira desocupada cria um vazio impreenchível.
Se é verdade que as amizades cúmplices, desinteressadas e perenes são as que se fazem na juventude, então a nossa foi a exceção que confirma a regra, a lotaria que, por uma vez, conseguimos ganhar ou um tiro na lei das probabilidades.
Conhecemo-nos na Escola Miguel Torga, em 1990, homens feitos, casados e com filhos. Desde 1991 a 2016, fomos parceiros na gestão e desenvolvemos em conjunto um trabalho profícuo que deu azo a um imenso respeito mútuo. Na gestão da escola, o Alberto revelou-se senhor de uma inteligência luminar; com uma sensibilidade e um sentido de humor finos; um homem culto e intrinsecamente curioso; um humanista vertical e corajoso, defensor dos desprotegidos, da verdade, da justiça e da legalidade; um jurista distinto e seguro, arguto e capaz de golpes de asa assinaláveis; um resistente que continuou na gestão já ferido de morte enquanto o corpo o deixou ir.
O Alberto Fernandes ficará justamente associado ao sucesso da Escola e do Agrupamento Miguel Torga, como corresponsável dos projetos, resoluções, realizações, das lutas e vitórias e como seu defensor indubitável até ao fim.
O nosso convívio aturado criou uma amizade canina, cimentada em 25 anos de partilha diária, muitas horas por dia, no trabalho e na relação íntima e familiar. Descobri então no Alberto as qualidades que fizeram dele o meu paradigma de “Homem”: um amigo incondicional, de uma lealdade e honradez raras, de uma genuinidade cristalina e de uma solidariedade a toda a prova; sempre presente nas horas difíceis com a palavra certa, um conselheiro com uma sensatez inata que procurava consensos, mas sem virar a cara à luta; rijo como as fragas de Benlhevai e inquebrantável nos princípios que o norteavam, de quem guardo queridas recordações, uma saudade insuperável e um sentimento de perda irreparável.
Era também um contador de histórias excecional. Como diria o Viriato Manhas, “o mais valente contador de histórias que alguma vez pisou a face deste mundo”.
Um dia, numa tarde de conversa amena, à sombra de uma parreira, veio à baila a ideia de publicarmos a meias um livro de contos, mas, umas vezes porque adiei, outras porque adiou ele, o projeto que ainda mais nos irmanaria foi sendo protelado para melhor hora (“depois vê-se…”). Embora ainda agora me custe a acreditar, a hora passou.
Sempre pensei que, como os estorninhos, o Alberto Fernandes era imortal e resistiria ao que fosse, até à pior das intempéries. Fui testemunha das suas batalhas em que mostrou força sobre-humana, da tenacidade que desmentia os piores prognósticos. Vi-o sempre vencer quando os restantes mortais já achavam impossível.
O Alberto amava a vida e só a aliança brutal de doenças fatais lhe conseguiriam suster à traição o sopro, deixando órfãs as duas filhas e a mulher que adorava, a sua família e os amigos, a sua Benlhevai e o seu Trás-os-Montes míticos.
Acredito que no nosso ninho xistoso continuará a inçar gente que, como as estevas e as carrasqueiras, singrem no chão magro.
Oxalá os vindouros sejam feitos da fibra que fez o meu amigo Alberto Fernandes.

Por José Carrapatoso
 

NÓS TRASMONTANOS, SEFARDITAS E MARRANOS António Manuel Lima (c. 1718 – ?)

O processo inquisitorial de António Manuel Lima (1) ganha uma importância excecional por várias razões. Desde logo por ter sido este réu o último “judeu” brigantino a abandonar as cadeias da inquisição de Lisboa. Depois porque ele se desenrola numa época de radical transformação do tribunal do santo ofício que, no seguimento do terramoto de Lisboa e da tomada do poder pelo marquês de Pombal, passou a funcionar em defesa dos interesses do soberano mais do que no combate às heresias religiosas.
Em terceiro lugar (e este é um aspeto que até hoje ninguém estudou em profundidade) porque ele se desenvolve numa época em que as sedas de Bragança (e também Chacim, Lebução e outras terras Trasmontanas) ganhavam extraordinária reputação e procura dentro e fora das fronteiras. (2) E o negócio das sedas era tão importante que foi definido pelo governo como “cluster” prioritário da política de “industrialização” do país. Com esse objetivo foi então criada a fábrica de sedas do Rato. E nos arredores da fábrica fez-se até uma urbanização nova, com vista a atrair mão-de-obra especializada. E onde estava essa mão-de-obra? Em Bragança e no Nordeste Trasmontano. E essa será a explicação para o facto de vermos naqueles anos tantos fabricantes de seda abandonar Bragança e Trás-os-Montes e estabelecer morada em Lisboa. Aliás, mesmo depois de entrar em pleno funcionamento a Fábrica do Rato a administração de Vasco Lourenço Veloso mandava comprar 18 mil cruzados de sedas em Viseu para torcer sedas em Bragança. E sendo já a Fábrica propriedade da Fazenda Real, as sedas eram mandadas a tingir em Bragança. Defeito da tinturaria do Rato ou falta de qualificação dos operários?
Obviamente que o processo de António Lima não fala da fábrica do Rato nem da política industrial do país mas abre janelas sobre o assunto. Mostra, por exemplo, que as famílias de Catarina Angélica de Castro (3) e José António Pereira foram de Bragança fixar morada na moderna urbanização junto da Fábrica do Rato. E mostra quantidade de artesãos brigantinos do setor sericícola mudados para Lisboa. Mas vejamos alguns traços biográficos deste homem.
Nasceu em Bragança pelo ano de 1718, sendo filho de Manuel Rodrigues Lima, de Mirandela e Maria da Fonseca, natural de Bragança, um e outro apresentados na inquisição. O casal terá ainda estabelecido morada na aldeia de França e o mais valioso dos imóveis herdados pelo nosso biografado foi exatamente uma casa na dita aldeia. (4) Feitos os estudos preparatórios em Bragança, certamente no colégio dos Jesuítas, António Manuel rumou a Coimbra para frequentar o curso de direito na universidade. Por 1740, o novel advogado “por se achar com algum dinheiro e viver na lei de Moisés, e lhe dizerem que em Londres havia liberdade de cada um viver na lei que queria” para ali embarcou. Na capital inglesa viveu 5 ou 6 meses, fazendo-se circuncidar e frequentando a sinagoga. Explicaria depois que ali passou a páscoa em que comeu o pão asmo e o cordeiro, conforme as determinações da lei. E citou para o processo a seguinte oração que ali aprendeu e rezava na sinagoga:

Vós, Senhor do mundo todo,
Senhor de toda a verdade,
A minha alma a vós clama
Meu coração voa alabe;
Eu sou vosso servo
E no vosso serviço acabe;
Assim rezemos e não cansemos
E damos graças ao Senhor;
Quem no Senhor confia
Não lhe faltará favor para sempre.
De regresso a Portugal, mais do que o exercício da profissão de advogado, fez-se homem de negócio, mais concretamente “contratador de mantos”. E sendo Lisboa o palco privilegiado para vender as sedas que recebia de Bragança, para ali mudou a sua residência.
Estava-se em meados da década de 1740 e a cidade de Bragança sofria uma nova e terrível investida da inquisição. E foi um caudal de prisões e apresentações, muito especialmente no tribunal de Coimbra. E certamente sabendo que muitos de seus conterrâneos (inimigos, amigos e até familiares) “tinham dado nele”, o advogado Lima meteu-se também a caminho de Coimbra onde, no dia 8 de Agosto de 1749 se apresentou na inquisição, contando que era judeu, que fora circuncidar-se em Londres… mas que estava arrependido e prometia ser bom cristão.
Foi reconciliado em Mesa, no dia 29 do dito mês Agosto, ao contrário de 18 brigantinos que então estavam presos nas cadeias da mesma inquisição e saíram no auto de fé de 16 de Novembro seguinte, 2 deles queimados na fogueira: Gabriel Mendes e Inácio Borges. (5)
Poucas notícias temos dele nos anos que se seguiram. Mas temos um rol de denúncias produzidas por outros réus contra o Lima, tanto na inquisição de Coimbra como na de Lisboa. E então, o nosso advogado, tomou de novo a iniciativa de ir-se apresentar nos Estaus, no dia 25 de Agosto de 1752 Na audiência que a seguir lhe foi concedida declarou o seguinte:
- Ainda que se fora apresentar em Coimbra e dissera que havia deixado a lei de Moisés e abraçado outra vez a de Cristo, fizera contudo a sua confissão e apresentação simuladamente, porquanto na crença da lei de Moisés estava vivendo e nela viveu até 24 de Agosto deste presente ano…
Disseram-lhe os inquisidores que fosse para casa mas que se não ausentasse de Lisboa sem licença do santo ofício.
Decorreram os dias e… no 1º de Novembro de 1755, aconteceu o terramoto de Lisboa, com todas as consequências materiais, políticas e religiosas que aqui seria despropósito referir. E se uma onda de proselitismo cristão invadiu a cidade atirando as culpas do terramoto aos pecados e ofensas à religião de Cristo, outros aceitavam explicações naturalistas e talvez que entre a gente da nação hebreia crescesse o apego à lei de Moisés. Terá sido o caso de António Manuel Lima?
Facto é que, em 16 de Janeiro de 1758, o advogado contratador de mantos foi preso pela inquisição de Lisboa, ficando retido no cárcere da custódia e no dia 28 seguinte prestou um depoimento de espantar :
- Suposto que se apresentou na inquisição de Coimbra no ano de 1749 e depois na de Lisboa (…) por medo de ser preso pela inquisição de Coimbra, veio a esta de Lisboa, não por estar arrependido das mesmas culpas pois desde o tempo em que lhe fizeram o ensino da lei de Moisés até ao dia 16 deste mês, conservou no seu coração a crença da dita lei, e só então a deixou, alumiado pelo espírito Santo e por fazer reflexão do estado em que o reduziram as ditas culpas…
Deixaria mesmo? Ou estaria mais judeu do que nunca e mais uma vez a fazer o jogo do rato com os inquisidores? Com efeito, em 14 de Abril seguinte, apresentou-se perante o inquisidor Nuno Álvares Pereira e declarou:
- Achando-se ao presente preso nestes cárceres com o mesmo Francisco Rodrigues da Costa, se declararam crentes e observantes na dita lei, até ao dia de anteontem, 12 do presente mês em que ele confitente, alumiado por Cristo Nosso Senhor…
Seria de vez o seu arrependimento? Talvez não ou talvez sim. Isto porque no dia 8 do mês de Maio seguinte voltava a confessar, dizendo:
- Ainda que ele por repetidas vezes tem dito nesta mesa que de todo o seu coração deixava a crença na lei de Moisés em que vivia e que tornava a abraçar a lei de Cristo (…) sempre conservara no seu coração a errada crença da lei de Moisés e nela vivera até ao dia 13 de Abril próximo passado…
Se os tempos fossem outros, certamente o seu destino estaria há muito traçado e ele seria consumido na fogueira de um auto de fé. Assim, foi reconciliado num auto de fé celebrado com recato no claustro do convento de S. Domingos, condenado em confisco de bens, cárcere e hábito a arbítrio, o qual lhe será tirado no auto de fé.

NOTAS E BIBLIOGRAFIA:
1-ANTT, inq. Lisboa, pº 1898, de António Manuel Lima.
2Pastrana terá sido a cidade espanhola que albergou a maior colónia de fabricantes de seda idos de trás-os-Montes, especialmente de Vila Flor e Torre de Moncorvo. E sobre Toledo temos a seguinte informação: - Catalanes, portugueses y algun francês, estos laborantes venían com contratos de cuatro años com opción a prorroga, eran conminados y perseguidos, com alborotos, por tejedores toledanos quienes llegaron a amenazarlos com quitarirles y destruirles los telares. – VAQUERO, Angel Santos – A Industria Têxtil Sedera de Toledo, pp. 242-243.
3-Catarina Angélica era filha de Pedro Lafaia de Castro, o homem que em Bragança desempenhava a função de “chamador” para as reuniões em sinagoga, conforme denúncia feita pelo capitão de ordenanças Francisco Lopes: - Estando ele pelas 8 ou 9 horas da noite, na rua Direita, em Bragança, viu sair da casa de Pedro Lafaia de Castro um homem com um pau ferrado em fundo dando golpes na calçada a chamar… ANTT, inq. Coimbra, pº 1806, de António Rodrigues Gabriel.
4-Os arquivos do ANTT apresentam vários moradores nesta aldeia processados pelo santo ofício.
5-ANTT, inq. Coimbra, pº 8565, de Gabriel Mendes; pº 9663, de Inácio Borges.

Por António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

PLENAMENTE DE ACORDO

De acordos está o mundo farto e do seu incumprimento ainda mais. Felizmente para o país e surpresa dos céticos, que os acordos de esquerda se mantêm em vigor e, quando se previa que a engrenagem da geringonça deixasse de funcionar, ganha novo impulso e há orçamento aprovado para 2017. Resultado da política de bastidores ou de intensas negociações nunca se saberá, a única certeza é a capacidade negocial do primeiro-ministro e da sua equipa, aliada a uma coerência e frontalidade que parece caraterizar os parceiros.
Tendo-se estranhado como PCP e BE optaram em não ir para o governo, começa agora a ser mais claro que terão compreendido não ser ainda este o seu tempo e o que aconteceu à direita, em 2013, mostra que decisões “irrevogáveis” são o resultado de uma série de frustrações e pactos falhados ao longo de um tempo de coabitação governativa. Assim é melhor prevenir do que remediar e ficar pelos consensos de incidência parlamentar. O Boletim Económico do Banco de Portugal, referente a outubro de 2016, mantém uma perspetiva otimista do crescimento do PIB e uma relativa moderação no que respeita aos índices de empregabilidade nacional em linha com o que se projeta para a zona euro. Seja como for, os gráficos aproximam-se mais dos de Centeno, afastam-se dos de Cristas, e a a dissonância é dada pelo Conselho de Finanças Públicas que se tem pautado por demonstrar que o crescimento não passará tanto pelo consumo privado mas pelo investimento e exportações.
Tudo estaria bem, pelo que a comparação do “Parece Deus com os seus Anjos” faria todo o sentido, não fosse o estranho caso de alguns anjos que para ter asas, tiveram de perder a cabeça. Dito de outro modo, a trípode que sustenta o governo, desde sempre, baseou a sua ação em três eixos fundamentais - educação, saúde e emprego, mas, agora, foi largando tais valores e ainda não se conhece pelo que serão substituídos ou se serão substituídos, não ficando a este nível um buraco maior do que o das contas públicas. As evidências estão no próprio OE de 2017: na educação há um corte de 281 M€ destinados aos recursos humanos no ensino básico e secundário, o que levou a Fenprof a exigir explicações ao governo, dado contrariar tudo o que até aqui foi anunciado em termos de vinculação de professores, contratação de assistentes operacionais e reposição de salários. Perante isto, surgiram artigos a defender o orçamento e a rubrica da educação, acusando os supostos delatores de desinformação e estarem ao serviço da direita. De facto, comparando as propostas de orçamento para a educação, verifica-se que em 2015, era de 5540 milhões de euros, em 2016 passa para 5843 e em 2017 será de 6023. Não se referirá que a estimativa de execução, que nos dois primeiros anos, se fixou em 5925 M€ e 6122 M€ respetivamente, já que a proposta de orçamento parece ser uma coisa e a estimativa outra.
Mas o problema não são as contas, é a realidade das escolas. Se às turmas de 30 ou mais alunos, associarmos professores com horários semanais de 22 ou 25 horas, com aulas de manhã, à tarde e à noite – alguns a terminar às 23.30 de sexta-feira, mais as aulas de apoio pedagógico ao abrigo do artigo 79º do Estatuto da Carreira Docente, consegue reduzir-se os custos, cumprir a legislação, implementar planos de melhoria e até considerar que houve um aumento no orçamento, ao contrário do tal corte de 1,6%. Se juntarmos a isto, o facto de haver escolas por este país que, à hora dos almoços, retiram os funcionários dos corredores das salas de aula e os concentram nas cantinas, com todos os problemas de segurança e de qualidade de serviço, é possível dar a entender que houve efetivamente um aumento de verba que irá cobrir as despesas porque o corte nos recursos humanos já foi feito, ajeitou-se o volume de formação e espera-se que os programas operacionais façam o resto.
Uma proposta de orçamento é, efetivamente, uma intenção política que privilegia umas áreas em detrimento de outras; a execução orçamental também reflete a gestão do orçamento ao longo do ano. É verdade que propostas devem ser comparadas com propostas, e execuções com execuções. No entanto, e perante os que são como Jesus Cristo que não nada sabia de finanças, como dizia Pessoa, não falem de dotações provisionais que se vão incorporando, porque, como diz o povo: “Quem torto nasce…”. Plenamente de acordo que se regresse às origens e sem falácias nem silogismos hipotéticos, que a educação volte a figurar nos paradigmas de quem nunca a deveria ter abandonado.        

Perguntas que alguém saberá responder porque eu não tenho a mínima ideia (2)

Foi-nos propagandeado que o aumento da dívida pública provocava o aumento dos juros. Em Portugal não foi assim. Aumentou a dívida e baixaram os juros. É esta a minha perplexidade pois isto não bate certo com a lógica, quando muito com a regra três de Vinicius de Morais “onde o menos vale mais”. Suponho que a explicação não passa necessariamente pela lógica dos números. Aqui entra a lógica da banca mundial, dos especuladores, das agências de rating etc, com o seu capital de influência sobre toda a teia financeira. As agências de rating é que decidem do crédito aos Países. Uma espécie de avalistas do Mundo. Aqueles que emitem as cartas de conforto aos Países para eles se poderem financiar nos mercados. Entidades cuja competência e idoneidade deviam estar acima de qualquer suspeita. Mas não estão. O banco Lehman Brothers, aquele que deu origem à crise, estourou nas mãos dos “Três Grandes” (Fitch, Standard & Poor’s, Moody’s) umas semanas depois destes terem emitido um relatório garantindo a robustez financeira do banco. No entanto continuaram a operar como se nada se tivesse passado, sem serem alvo nem de investigação nem de sansões nem tão pouco de uma simples admoestação. (“Quem julga os juízes”? Perguntava Kafka) Não contentes com a performance Lehman Brothers, que aliás não era caso único, e do alto da sua inimputabilidade até se deram ao luxo de considerar que Portugal, Grécia e Irlanda são, em matéria financeira, lixo. Esta tomada de posição foi entendida, por muitos analistas Europeus, intencional, na tentativa de provocar a Crise Europeia de Dívida Soberana que de facto conseguiram. E assim está o Mundo financeiro dependente dos humores de umas agências cujas prestações não têm, por vezes, nada de recomendável. Já agora um aparte mas que corrobora o que foi dito. Herr Schauble fez declarações, à uns tempos, dizendo que Portugal tinha ido muito bem com Passos Coelho mas que este Governo causava dúvidas e apreensões que tinham tido por consequência o aumento as taxas de juro. Não era verdade que as taxas tivessem subido, mas subiram logo após esta declaração. A deselegância com que tratou os seus pares e a tentativa de ingerência num País soberano mostram o Ministro das Finanças da Alemanha como um homem verdadeiramente boçal. Não obstante isso, é um facto que ele não deixa de ter o peso que a Alemanha lhe empresta. O Sr Ministro sabe disso e sabia que as suas declarações provocariam uma subida da taxa de juros, que nesta matéria não há ninguém distraído. Portugal perdeu mas alguém ganhou, o que me leva a ver neste incidente uma intenção verdadeiramente escandalosa. Tudo isto me leva a ter uma visão perversa, quase maquiavélica, destes procedimentos. E é assim: no mundo dos Países com problemas financeiros todos eles arranjam uma agência de rating, numa espécie de Tordesilhas financeiras, que lhe dá o aval sem o qual não podem ir aos mercados. Sem esse aval, os Países têm custos incomportáveis com os juros e as agências sabem isso muito bem. Sendo assim pergunta-se: as classificações que as agências de notação financeira atribuem à saúde financeira dos Países é idónea? É isenta? Tem custos? Por outras palavras: as classificações que a agência de rating DBRS tem dado a Portugal, e que valem muitos milhões de Euros, é de “graça”? Custa-me a crer.

Por Manuel Vaz Pires

Falando de … Portugal na Semana de Arte Moderna em São Paulo, Brasi,l em 1922

Nunca se sabe tudo de coisa nenhuma. Falar de Fernando Pessoa é sempre tentar ir mais adiante buscando algo que ainda não foi dito ou escrito e que não chegou ao nosso conhecimento. Se foi ao Brasil e participou na Semana Cultural do Modernismo em São Paulo em 1922, era matéria que não nos tinha interessado, ou porque a limitação do nosso saber não atingisse esses horizontes ou porque nenhuma leitura pessoana o tenha abordado. E ler Pessoa ou sobre Pessoa é entrar num mundo fascinante onde não faltam surpresas, numa transversalidade que alarga os horizontes sobre um escritor que em vida pouco divulgou e nos deixou ignorantes de cerca de vinte e oito mil documentos.
Sabendo que Fernando Pessoa era avesso a viagens, para além das que havia feito para a África do Sul, não era provável a sua ida ao Brasil em 1922 para estar presente na celebração do Modernismo na cidade de São Paulo. A comemoração do centenário da independência do Brasil e a realização da primeira travessia aérea protagonizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral eram factos a ter em conta na vida dos dois países.
Em Portugal vivia-se o apogeu do Modernismo. Em 1915 são publicados os dois primeiros exemplares do Orpheu, revista trimestral de Literatura. São directores, para Portugal, Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho para o Brasil, no primeiro número. Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro para o segundo número. Para editor é escolhido António Ferro, que à data tinha dezanove anos e que tinha sido colega de Mário de Sá-Carneiro no Liceu Camões.
De notar que entre os colaboradores estão dois poetas brasileiros: Ronald de Carvalho e Eduardo Guimarães, sendo a revista destinada a Portugal e ao Brasil.
Em artigo publicado na Seara Nova em Novembro de 1959, sem nome do autor, o articulista dá conta que tanto Portugal como o Brasil desconhecem o que se passa nos territórios de um e de outro, no âmbito cultural. Reconhecendo que “Coimbra fora, ao longo do século XIX, a fonte em que culturalmente se dessedentava o Brasil. Ali vinham formar-se as suas elites da cultura e da política, ali emparelhavam os aspirantes a escritores dos dois países em comum seguindo movimentos feitos ou erguendo o pavilhão de revolta dos movimentos novos”.
Incontestável verdade, contudo a partir da segunda década do século passado, dificuldades resultantes da segunda guerra mundial e um melhor apetrechamento e desenvolvimento cultural do Brasil, com o Atlântico de permeio, impuseram uma separação que, malgré tout, não se manifestou em todos os domínios.
Nos meios intelectuais brasileiros, os ecos do Modernismo já se tinham feito sentir.
A Águia saída em 1912, tinha assinantes e leitores no Brasil. Luís de Montalvor que partira para o Brasil nesse ano, é natural que tenha falado sobre o Modernismo e Fernando Pessoa, cabendo, também, a Luís de Montalvor, a introdução do Orpheu. Na biblioteca de Fernando Pessoa consta um livro com data de 1914, oferecido por Ronald deCarvalho que, também, colabora no Orpheu I, com Poemas - A Alma que passa, Lâmpada Nocturna, Terra Ignota, Elogio dos Repuxos e Reflexos.
A Semana da Arte Moderna Paulista não passa ao lado de António Ferro, director da revista semanal de O Século, Ilustração Portuguesa, desde 1 de Outubro de 1921, onde pontificavam nomes como Almada Negreiros, Fernando Pessoa, António Sardinha, João de Barros, Júlio Dantas e Rocha Martins.
A ida ao Brasil de um membro do Modernismo Português não se afigurava fácil, tanto mais que para António Ferro, director da revista há pouco, não estava nos seus horizontes abandonar o cargo.
Segundo Orlando Raimundo, autor de António Ferro, O Inventor do Salazarismo, a Semana Paulista teria lugar no Teatro Municipal, assentando a programação em sessões de poesia, intercaladas por palestras sobre modernidade e arte, sendo promotores os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Sérgio Costa e Silva e Plínio Salgado; os jornalistas Paulo del Picchia, Tácito de Almeida e Guilherme de Almeida; o escultor Víctor Brecheret; os pintores Di Cavancanti, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral.
António Ferro não podendo estar presente, pede a Ronald de Carvalho que o represente, pedido que foi aceite, lendo o texto Nós, em forma de Manifesto, tão ao gosto dos Modernistas, que virá a ser publicado no nº3 da revista Klaxon, de São Paulo, em 15 de Julho de 1922. Nós é um texto constituído por quatro páginas e duas personagens – um Eu esclarecido e a Multidão que se limita a dizer que não ouve nada e a apodar de Doidos varridos e Insolentes os representados pelo Eu que domina todo o discurso e que inicia, afirmando:
Somos os religiosos da Hora. Cada verso – uma cruz, cada palavra – uma gota de sangue. Sud-Express para o futuro – a nossa alma rápida. Um comboio que passa é um século que avança. Os comboios andam mais depressa do que os homens. Sejamos comboios, portanto!
Ser de hoje, Ser de hoje!!!... Não trazer relógio, nem perguntar que horas são. Somos a Hora! Não há que trazer relógios no pulso, nós próprios somos relógios que pulsam…
Um manifesto em forma de futurista, antecedido de uma epígrafe de Jean Cocteau “L’avenir n’appartient à personne. Il n’y a pas de precurseurs, il n’existe que des retardataires”.
A ausência de António Ferro e a leitura de Nós valeu-lhe os maiores encómios. Esquecidos os nomes de Fernando Pessoa e de Almada Negreiros, António Ferro fora projectado no universo futurista na cidade de São Paulo.
A possibilidade de António Ferro ir ao Brasil continua em aberto. Aproveitando a circunstância da Companhia de Teatro Lucília Simões /Erico Braga ter sido convidada para uma tournée no Brasil no âmbito das comemorações do Centenário da Independência, representar Mar Alto, de António Ferro, é o autor convidado a integrar a Companhia que parte para o Rio de Janeiro em Maio de 1922. Carlos Malheiro Dias, exilado monárquico no Brasil, profere o discurso de recepção a António Ferro, no Teatro Lírico, do Rio de Janeiro em 30 de Julho de 1922, de que retiramos o seguinte extracto “Na vossa fantasia inesgotável, na novidade das vossas imagens, no sorriso das vossas ironias, há o sangue novo, que já foi nosso, circulando em elásticas artérias, e uma alma que tem asas e voa, contemporânea dos aeroplanos”.
Do escritor brasileiro Menotti del Picchia, na recepção a António Ferro, no Teatro Municipal de São Paulo, em 5 de Dezembro de 1922, é possível realçar:
Mas António Ferro é sempre um paradoxo: antes de aqui vir, já aqui estava. Encontrou-se consigo mesmo nos seus versos, que sabíamos de cor, nas suas frases-lápides, que sabíamos de cor.
Desvinculado da revista Ilustração Portuguesa que, entretanto, tinha sido gerida por João Ameal, António Ferro mantém-se no Brasil, onde conferencia e vê o Mar Alto ser estreado em 18 de Novembro em São Paulo, no Teatro Sant’Ana, protagonizando o papel de Henrique.
Com grande sucesso no Brasil, António Ferro com uma “proposta muito vantajosa para série de conferências no Brasil” dirige um telegrama à namorada, Fernanda de Castro, propondo-lhe casamento por procuração.
Com 21 anos, Fernanda de Castro celebrará o casamento, no dia 12 de Agosto de 1922, na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, com o cunhado Augusto Cunha a fazer o papel de noivo. No Brasil, António Ferro terá como testemunhas Lucília Simões e o Almirante Gago Coutinho, chegado ao Rio de Janeiro em Junho, depois da travessia aérea começada em Lisboa a 30 de Março no hidroavião Lusitânia. Fernanda de Castro partirá para o Brasil no final do mês no navio Arlanza, da Mala Real Inglesa, segundo afirma “comum vago enxoval nas malas e uma grande ansiedade no coração”.
No Brasil, António Ferro proferiu conferências. Salvador, Recife, Belo Horizonte, Santos, Ribeirão Preto e Campinas são algumas das cidades por onde passou. Fernanda de Castro, com grandes cartazes a anunciar recitais de poesia, a princípio temerosa, ela que mal conseguis aprender de cor dois ou três poemas seus, quanto mais os dos outros, conforme confessa. Os tempos passaram. O sucesso acabou por se confirmar, as amizades consolidaram-se e proliferaram. Chegaram a Lisboa por volta de 15 de Maio de 1923, tendo nascido o primeiro filho a 14 de Julho: António Gabriel de Quadros Ferro que virá a ser grande especialista de Pessoa. Gabriel em homenagem ao italiano Gabriele d’Annunzio, precursor do fascismo italiano, que António Ferro tanto admirava.
Com a chegada a Lisboa do casal, tinha terminado o périplo em torno da Semana Cultural Paulista. António Ferro tinha visto o seu prestígio afirmado além-fronteiras; partiria para outros lugares que lhe abririam portas para Ministro na Suíça e depois em Roma, vindo a falecer a 11 de Novembro de 1956, em Lisboa, no Hospital de São José. Tinha 60 anos.
Fernando Pessoa distante do cosmopolitismo brasileiro, escrevia, escrevia e desmultiplicava-se. Não fora a São Paulo, mas mandara um dos seus heterónimos para a emigração. Ricardo Reis, nascido em 1887, educado num colégio de jesuítas, médico, vive no Brasil desde 1919, expatriado espontaneamente por ser monárquico. Apoiando-me em João César das Neves, num texto datado de 23-10-1988, de São Paulo, intitulado Ricardo Reis, o heterónimo imigrado, publicado pela Secretaria do Estado da Cultura em Lisboa, em 1990, no âmbito do Encontro Internacional do Centenário de Fernando Pessoa, realizado em Lisboa, Ricardo Reis terá escrito 35 poemas em Portugal e 89 no Brasil. Para Saramago que o ficcionou terá voltado a Portugal em 1935, para se inumar em 1936 – O Ano da Morte de Ricardo Reis.
São Paulo e os brasileiros não esqueceram Pessoa. Admiraram-no, comemoraram-no e celebraram-no. E a Fundação Engenheiro António de Almeida esteve presente. Afirmativamente colaborou na elevação do busto de Fernando Pessoa na Avenida de Sagres, Jardim Lusitânia na cidade de São Paulo, de autoria de Maria Irene Vilar, de Matosinhos, e que na sua terra contribuiu para a criação de um Museu de Arte.
Fernando Pessoa, de forma icónica, a encerrar o centenário do seu nascimento em São Paulo, Brasil, nas comemorações que aí decorreram de 26 a 30 de Abril de 1988.
Ditosa Pátria que tal filho teve- Os Lusíadas, canto VIII, estrofe 32.

Por João Cabrita

Não foi adoptado o Novo Acordo Ortográfico.

O MEL E AS MOSCAS

De novo a minha crónica quinzenal vai beber num editorial do meu amigo Teófilo Vaz. O diretor do Jornal Nordeste, na sua edição de 25 de outubro, queixava-se da falta de eficácia dos políticos nordestinos no que toca às verdadeiras reivindicações que é suposto fazerem e levarem a cabo junto do poder central. Houve quem, com razão, reclamasse que é preciso distinguir o trigo do joio pois políticos há e houve que nada ficaram a dever à consciência nem se sentem em falta com os eleitores que neles confiaram. Ambos têm razão. É verdade que temos que prestar homenagem aos que se bateram e batem pelo desenvolvimento nordestino, não se cansando de reclamar no Terreiro do Paço tudo quanto falta a norte do Douro e a leste do Marão. Mas também é inegável que as carências são muito maiores que as soluções encontradas. Aos poucos que muito fizeram e fazem, juntam-se os muitos a quem o que mais interessa é a sua capela, o seu cantinho, a sua carreira e, muitas vezes, o seu partido. Essa é a principal razão da média baixa que traduz a fraca eficiência no carrear dos meios públicos para resolver os muitos problemas que atormentam o interior nordestino. É fácil concordar e subscrever que “nenhum autarca do distrito pode alhear-se de soluções capazes de dinamizar as atividades produtivas” e igualmente se sentir apreço por todos os “autarcas que procurem, queiram e saibam encontrar formas de cooperação para além do quintalzinho...”.

Contudo o desenvolvimento nordestino não pode fazer-se exclusivamente à custa e com base no investimento público. Há igualmente os empreendedores privados cuja atividade é cada vez mais importante e decisiva para o futuro comum. Alguns dirigentes locais já o assumiram e trataram de cativar e atrair investidores que suportem e dêm massa crítica aos seus projetos. Oferecem-lhe facilidades, ajuda, suporte e apoio.

Outros preferem destratá-los em locais públicos. Há até quem, supondo e invejando-lhes largos lucros, prefira ameaçá-los com taxas e impostos supondo imitar a Câmara Lisboeta que, recentemente, iniciou a conclusão do Palácio da Ajuda com dinheiro arrecadado em impostos turísticos. Esquecem que o nordeste não é a capital e que o que ali teve bons resultados pode ser dramático, se implementado por cá. Qualquer agricultor sabe bem que as árvores se podam quando são adultas e com excesso de ramagem; qualquer amputação, quando são jovens e em fase de desenvolvimento, pode ser-lhes fatal. Em termos de turismo, no nordeste, estamos, infelizmente, muito longe do tempo da poda. É altura de regar, arar, adubar e tratar com cuidado e dedicação.

O empreendimento privado tem livre arbítrio e é, por estas terras, escasso e disputado.

Se nuns locais é acarinhado e valorizado, enquanto noutros, pelo contrário é taxado e ameaçado, adivinhem onde será que qualquer empresário vai, naturalmente, investir os seus recursos?

Golpe de Estado em curso.

O processo de destruição de Portugal já vem de longe, muito embora ninguém possa lucidamente defender que começou com a queda da Monarquia e a consequente implantação da República e muito menos com a perda das colónias.
A culpa também não deve ser assacada aos revoltosos capitães de Abril, que não passaram de meras marionetes no contexto histórico, com é evidente.
Também a nebulosa constituição do actual governo da geringonça, amplamente legitimado em sede da Assembleia da República, não poderá ser vista numa perspectiva negativa de liquidação da pátria portuguesa. O fenómeno é bem mais complexo e subtil.
Os inimigos de Portugal, aqueles que estão verdadeiramente interessados em destruir a secular nação portuguesa, têm vindo pacientemente e com raro engenho, a aproveitar-se de todas as circunstâncias propícias para levar a água ao seu moinho, desde logo valendo-se dos males de que a sociedade portuguesa enferma e à boleia do processo de instauração do regime democrático e dos esforços de modernização do País. Assim é que ousaram arruinar o Estado e desfigurar a Democracia, de que só já resta uma máscara de comédia.
As evidências são muitas e variadas, os indicadores económicos e sociais amplamente demonstrativos e, acima de tudo, os portugueses sentem-nas bem fundo na própria pele. Nem vale a pena falar na dívida pública incomportável, na corrupção desenfreada, nos impostos desregrados, na fatia substancial dos dinheiros públicos que é abocanhada pela Banca, na imigração massiva de quadros qualificados, na perda de soberania ou na humilhação a que Portugal é todos os dias submetido nas instâncias comunitárias.
Já no que à CGD diz respeito, nenhum governo de direita seria capaz de fazer o que este governo de esquerda está a fazer, porque o PC, o BE e os sindicatos já teriam posto o país a ferro e fogo.
CGD onde se trava uma luta feroz e está em curso um verdadeiro golpe de Estado, com a super poderosa nova administração saída da mais fina flor capitalista a exigir vencimentos e regalias imorais e a impor um modelo de salvação do banco público que implica milhares de milhões do erário público, condiciona decisivamente o Orçamento de Estado e o próprio Programa de Governo.
Super poderosa administração que sobranceiramente agora bate o pé e se recusa a entregar a constitucional declaração de rendimentos, sabe-se lá porque obscuros motivos, sendo de admitir que, na passada, venha a determinar a alienação do Banco público, que é o mais certo.
Perante isto o primeiro-ministro socialista desembaraça-se das responsabilidades que lhe cabem remetendo-as para o Tribunal Constitucional, o PS não sabe para que lado se virar, o PSD dá uma no cravo e outra na ferradura, o PCP engole sapos, cobras e lagartos e o BE já ultrapassa o CDS pela direita.
Aos portugueses, que continuam a ser humilhados e ignorados, apenas resta continuarem a sublevar-se silenciosamente, pela via da abstenção massiva.
Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.

Sua majestade, a castanha...

Ter, 15/11/2016 - 09:50


Olá familiazinha! Está no auge o desporto da época na nossa região: o “lombo de gato”, a apanha da castanha, ela que é agora a rainha do mês de Novembro. Já vivemos o S. Martinho deste ano. Antigamente descascavam-se as castanhas para cevar os porcos e agora é o grande minério da nossa região. Por isso mesmo, apresento-
-vos a página no facebook do jovem agricultor Rui Ferreira, de Faílde (Bragança) Castanhas de Tras os Montes de onde usamos algumas fotos e também os versos da nossa tia Irene, de Samil, dedicados aos 27 anos da Família do Tio João.